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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Depressão — O que a dor está tentando mostrar?

 



Segundo Henrique Toni, a depressão é basicamente um convite para que você olhe para dentro, com uma autocrítica — não uma autocrítica de se culpar ou se achar menos ou inferior por conta disso — mas uma autocrítica de querer analisar e entender onde você está errando, em que área da sua vida a coisa está fora do caminho.

São as amizades que estão ao seu lado? É a sua escolha profissional que está gerando essa insatisfação? Onde é que precisa acontecer a correção? A depressão, para ele, sempre vai estar atrelada a alguma necessidade de correção de rota. Cabe a você identificar onde isso precisa acontecer e, a partir daí, começar a agir em direção a essa mudança.

É por isso que ela te coloca sozinho. É por isso que ela tira a sua energia. É literalmente para você olhar para dentro, porque às vezes, dependendo do nível e do grau, é só isso que a pessoa ainda tem força para fazer.

Ele afirma que a depressão sempre vai exigir essa correção de rota. E que não existe curar de fato uma depressão sem haver algum tipo de mudança interna.

Por isso, a medicação pode até fazer os sintomas desaparecerem. Mas, em muitos casos, eles voltam, porque nenhuma mudança foi feita, nenhuma alteração de rota aconteceu. O espírito continua insatisfeito e, por isso, o quadro pode retornar.

Ele alerta que é preciso cuidado: não é uma abordagem ou outra da medicina. São as duas juntas que tendem a trazer o melhor resultado.

Trecho extraído de uma entrevista " A explicação Espiritual da doença (As 10 + frequentes) Henrique Toni - Canal YouTube Cortes do Astral. 02/01/26)

O título da postagem é editorial — pertence ao seu blog.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Mensagem de Manoel Philomeno de Miranda


Que a Paz de Jesus seja conosco!


A Terra - Planeta Azul - atravessa período de acelerada transição; já não mais a calmaria de outros tempos, hoje a corrida desenfreada é o que faz parte do cotidiano do homem na Terra; preocupado com o seus bem-estar psíquico tem o homem buscado o apoio nas terapias holísticas de vária ordem, buscando o equilíbrio emocional imprescindível para que possa levar uma vida digna sem os altos e baixos de que têm sido surpreendidos os que, diante das mudanças e informações que correm céreles nestes tempos, vem sofrendo com o

transtorno da bipolaridade - fenômeno psíquico provocado pela contradição própria de um mundo atordoado pelas mais diferentes concepções de vida e que vem a atordoar o ser despreparado para enfrentar as vicissitudes próprias de um mundo em transição.


Patologia catalogada nos anais de Medicina Psiquiátrica vem desafinado os profissionais que se assustam com  crescente aumento dela, quando eles próprios não pegos em suas malhas.


A depressão, que possui causas endógenas e exógenas, tem sido controlado por ansiolíticos que na verdade, atuando no quimismo cerebral, especialmente ativando a serotonina e a noradrenalina, são apenas um paliativo para um problema que tem raízes mais profundas porque a sua verdadeira causa está no Espírito. 


Ao reencarnar o Ser traz em sua matriz - o corpo perispirítico, modelo organizador do corpo físico -, a sua história, logo, carregando para os órgãos biológicos as deficiência e tendências tanto de personalidade quanto de transtornos psíquicos advindos, não raras vezes, do sentimento de culpa que, ao invés de ser sublimado em ações de bem ao próximo, é o caminho para uma introspecção que faz o indivíduo se achar o responsável pelos sofrimentos dos outros ou, o que é mais comum nestes casos, ele acha que o seu sofrimento é responsabilidade dos que estão ao seu redor, desconsiderando que cada qual é o causador imediato do mal que advém a si próprio e que a vida é oportunidade bendita de refazimento, de reestruturação de si mesmo e dos que estão ao seu redor.


O pensamento religioso, despido de formalidades e ritualísticas que a nada acrescentam, é de grande valia para o retorno do Ser ao seu Eu Profundo, redescobrindo-se Filho de Deus ! Tanto assim é que os grandes centros universitários do mundo têm investigado o poder da fé e sua relação com a cura das doenças, especialmente as psicossomáticas.


Ver-se Filho de Deus é se saber co-herdeiro de Seu Reino e perceber a abundância que há em si e o quanto a saúde integral só se fará através destes despertar.


Rogando a Deus nos abençoe em nossos propósitos de paz ao mundo, somos o aprendiz devotado e atento,

Manoel  Philomeno de Miranda








sexta-feira, 15 de outubro de 2021

CHAMADO AO TRABALHO



“Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações...” Hebreus 3: 7-8

A condição íntima de cada um é definida pela sua capacidade de amar. Cada um é defrontado, durante a vida, com questões graves, que influem em seu futuro. Mas o estado íntimo ante os problemas que a vida apresenta é oportunidade de verificarmos como temos progredido. Nossas decisões nos momentos difíceis provam quanto temos aprendido na escola do mundo.

A voz interior da sabedoria divina nos chama sempre para o caminho do equilíbrio.

A depressão, a angústia, o sofrimento moral e a ansiedade podem até ameaçar a harmonia do ser, mas a Divina Voz, que chama dentro de cada uma, através de sua consciência, conclama para o trabalho renovador. Ouvindo o apelo interior, cada um poderá, por si mesmo, devassar o mundo íntimo e espantar a sombra de melancolia que ameaça o equilíbrio.

Mas o homem pode ignorar os apelos santificantes do Alto, entregando-se aos fantasmas destruidores da alma, como os conflitos que o subjugam, afastando-se da única possibilidade de nascer de novo. Olvida a Voz Superior que o convida ao recomeço.

Desenvolver a sensibilidade do coração é dar-se nova oportunidade. É preciso suavizar as emoções, a fim de ouvir a voz do íntimo.

Deus fala conosco, convidando-nos a superar as fronteiras do eu e a crescer no trabalho enobrecedor. Somos filhos de Deus, e o Seu chamado para nós não deve ser ignorado.

Não há mais tempo para se entregar aos conflitos da alma. Desenvolvamos a energia espiritual, que nos fortalece através do otimismo e da nossa postura digna de nós mesmos. Ousemos crescer, trabalhando sempre, pois o trabalho é medicação segura contra os males que nos ameaçam.

Alex Zarthú – Robson Pinheiro – Livro Serenidade


terça-feira, 21 de maio de 2019

DOR EMOCIONAL


O indivíduo interpreta a dor normalmente como de origem física. Mas é necessário compreender que a dor, mesmo quando física proveniente da alma. O surgimento de dores, de doenças, por exemplo, acidente vascular, índica a existência de conflitos ocultos que o indivíduo traz de experiências anteriores ao período de vida uterina, associando-se também à experiência vivida no ventre da mãe durante a gestação e, dessa forma, vem acrescentar a novas experiências adquiridas ao longo da vida entre crenças, valores e pensamentos negativos.

A dor emocional é análoga à dor física no que tange em nos advertir que algo ocorre de forma adversa ao que se desejara, causando desavenças, insatisfações, tormentos ou conflitos.

A dor do ser é considerada como sofrimento intangível, não podendo ser equalizada, nem dividida, nem transferida e somente a aquele que a vivencia é possível expressar a dimensão do seu sofrer. Muito se tem feito em todas as épocas para esquivar-se da dor física e emocional. Porém, ele parece perseguir o indivíduo ao longo das existências, manifestando-se de forma biopsicossocial.

Denota-se um vínculo efetivo entre os fatores fisiológicos, psicológicos e sociais e, quando não há uma harmonia neste aspecto, desencadeia uma insatisfação de sintomas com características clínicas e psicológicas.

A dor, ao se manifestar, deve ser identificada quando proveniente de cada área biopsicossocial, pois embora elas se miscigenem, têm sua origem desencadeadora na dificuldade do indivíduo em lidar com seus próprios sentimentos, com os relacionamentos, com as frustrações e as decepções.

A manifestação da dor biológica desvela-se como uma disfunção de algum órgão, e o seu mau desempenho é suscitado por fatores extrínsecos, como outros organismos geradores de infecções, doenças autoimunes e outros. O organismo se torna incapacitado de realizar a homeostase, isto é, apresenta dificuldades em manter em constante equilíbrio a estrutura e fisioquímica, o sistema circulatório, o sistema respiratório, o sistema nervoso central, o sistema endócrino e outros, para enfrentar as variações naturais do ecossistema e do meio social.

Entretanto, no fator biológico, a substância genética é transmitida por meio da hereditariedade, que traz junto do ADN (ácido desoximbonucleico) no decurso pelo qual a célula caracteriza e efetua retificação nas moléculas do ADN, havendo assim um processo de mutação que irá alterar o desempenho do organismo. Atribui-se também como disfunções orgânicas as condições de padrões vibracionais a que a mãe esteve exposta no período da gestação do indivíduo. Portanto, fatores emocionais são os principais agentes indutores na mutação do DNA, propiciando a cura ou o desencadeamento de doenças orgânicas.

- Salientando ainda sobre os fatores emocionais estressantes e tormentosos em que a mãe se submete durante o período gestacional, torna-se agente propulsor de provável mutação biológica no feto, alterando o receptor dos hormônios. Gerando, assim, graves consequências na infância ou em outro momento da vida do indivíduo, que poderá ser acionado como um gatilho diante de um estímulo. Considera-se, ainda, quando tal gravidade de procelosa ambiência incide sobre o feto, desencadeia doenças mentais e comportamentais devido às variações genéticas ocorrida na vida intrauterina.

No fato psicológico, frequentemente a dor é uma junção de sentimentos em desarmonia, podendo a mente produzir dores irreais, decorrentes de sensações provocadas pela somatização de sentimentos. O medo, a perda, a culpa, a ansiedade, a estrutura cognitiva, a percepção e o discernimento nos episódios cotidianos, a autoestima baixa, a depressão, são coeficientes fundamentais da dor psicológica.

No fator sociocultural, a dor está vinculada às influências de relação do indivíduo no confronto com a sociedade, mediante as experiências adquiridas na convivência familiar, com amigos, no trabalho, pelos seus hábitos, sua forma de sentir, suas atitudes, sua maneira de ser, como também em suas reações a até na sua representação perante a sociedade.

A personificação exteriorizada pelo indivíduo é o reflexo do seu estado interior emocional. Portanto, a doença não é causa da dor e sim uma consequência da constante rebeldia mental que se fixa na constituição física. 

Ilusoriamente segue o indivíduo atribuindo aos outros a culpa por suas dores e frustações, assim permanecendo na consciência adormecida, fazendo a projeção da própria inconsciência de sim mesmo. Dessa forma, torna-se oportuno atribuir à culpa aos outros, por medo de enfrentar a própria consciência a assumir a responsabilidade pelo seu próprio sofrimento. Portanto, o indivíduo cria um deslocamento de responsabilidade do Eu para o outro.

Inconscientemente o indivíduo passa a manifestar comportamentos autodestrutivos, sentindo-se incapaz de enfrentar os desafios, inicialmente vitimizando-se nas situações afligentes e depois vai progressivamente para todas as outras situações cotidianas. Exterioriza então seu negativismo, passando a proferir frases como:

- “Sou injustiçado, sempre perseguido e impedido de agir conforme planejo e como gostaria por interferência dos outros.”.

- “Os projetos que elaboro não consigo colocar em prática por perturbações, disfunções que me absorvem e perseguições que desconheço.”.

- “Sou sempre excluído de alguma forma do meio em que me relaciono, seja ele profissional social ou familiar.”.

- “Tenho certeza de que estou sendo castigado por Deus, que nasci destinado ao insucesso, pois sei que o resultado de qualquer coisa que fizer será sempre destruidor, um verdadeiro fracasso.”.

- “Não tenho culpa de estar passando por toda essa situação desastrosa.”.

- “As pessoas nunca me entendem e só têm críticas para comigo.”.

- “Não aguento mais, estou no meu limite.”.

A dor que se manifesta lancinante por uma decepção, por uma relação rompida, por uma traição, uma perda social ou perda emocional, ativa determinadas áreas cerebrais, podendo ser comprovado por meio de um exame de imagens de Ressonância Magnética Nuclear, onde o cérebro registra a dor emocional. Portanto, o cérebro compartilha a mesma área quando uma dor física ou uma dor emocional se manifesta.

Quando a dor emocional cala fundo e a boca se fecha, negando o direito da mente de se expressar, de sentir, então a angústia quebra a resistência corpórea e aciona, como uma válvula de escape, algum órgão em estado de maior vulnerabilidade genética ou fragilidade adquirida.

Utiliza-se, então, várias formas de fuga, para a dor emocional, tentando anestesia-la pelo maior tempo possível. A busca pelo prazer se dá de maneiras diversas: saborear guloseimas, compulsões pelo trabalho, por jogos, por compras, pelas redes sociais. Como também contrair vícios, como: o uso do álcool, do fumo, e de drogas. Isso tudo ocorre geralmente na busca pelo prazer em um estado transitório.

Estabelecer-se um crescente processo de fuga na investida de sentir sensações de alívio, o que, de fato, agrava ainda mais o quadro de ansiedade, pois a emoção em conflito ainda permanece camuflada e assim vai se tornando um círculo ainda mais vicioso.

No momento em que há uma inquietação, o indivíduo aciona o mecanismo de fuga por meio da compensação, procurando algo para fazer, indo à geladeira atrás de guloseimas, procurando, porém sem fome, ou seja, sem necessidade alguma, pois se encontra biologicamente satisfeito. Na realidade, essa inquietude são as dores íntimas se manifestando, as quais ele não enfrentou ainda.

No momento em que são acionados os sentimentos de medo, de angústia, de culpa ou de solidão, se lhe for indagado o que está sentindo naquele determinado instante de inquietação, como ainda não consegue identificar a miscigenação de emoções por não ter entrado em contato direto com elas, responderá simplesmente que é “ansiedade”.

De modo insensato, mescla-se a isso a chamada “ótima fase”, onde tudo parece estar maravilhoso. Por mais que o indivíduo pareça estar feliz, no íntimo existem os medos, os sentimentos ocultos que estão transitoriamente adormecidos, tais como: preocupação com a família, medo de perder alguém, medo da morte, preocupações financeiras, instabilidade no emprego, insegurança no trânsito e outras mais.

Entretanto, permanecem ainda aqueles sentimentos não resolvidos do passado, que continuam sendo somatizados no íntimo, tais como: a culpa por ter causado algo, mágoa de alguém, alguma rejeição sofrida, a perda de um amor, uma traição, um ressentimento contido, uma revolta, o inconformismo por algo, uma violência na infância, uma tortura psicológica, a cessação de um relacionamento e tantos outros sentimentos.

No intento de esquivar-se da dor, o ser humano faculta dor maior, devido estar em constante negação das suas emoções ao invés de enfrenta-las. Em consequência disso, surgem inúmeros agravantes, outros transtornos como compulsões, ansiedade em elevado grau, quadros de obesidade, dependência do uso de drogas lícitas ou ilícitas, depressão, pânico e outros.

O ego dispõe de vários mecanismos no esforço de dissimular os seus conflitos como fuga da realidade. Quer seja pelo mecanismo de Projeção, de Deslocamento, de Introjeção. De Compensação e Sublimação, estes são sempre fugas que propiciam sofrimentos.

A Verdade quer lhe evidenciar suas próprias contradições, suas próprias complicações emocionais, suas inúmeras tentativas de manipular as pessoas, suas mentiras constantes, os seus desaforos. Enfim, se o indivíduo insistir em permanecer na fuga em vez de enxergar suas próprias dificuldades com a verdade estará então rejeitando o caminho para o crescimento, permanecendo, assim, a alimentar relacionamentos destrutivos.

É quase indeclinável ao indivíduo se deparar com a verdade, utilizar de mecanismos de defesa psicológica para se proteger da dor, se tornar muito defensivo emocionalmente, afastando pessoas do seu relacionamento e, dessa forma, deixando de haver uma troca de benefícios entre eles.

O ser humano reage defronte à verdade, que ilumina sua mente a expor os seus defeitos de caráter, utilizando a negação por meio do “desculpismo” como fuga. Diz então na “doença da negação” ou por outros mecanismos.

- “Bebo porque gosto, é só para relaxar. Sei me controlar e paro quando quiser.” (Na verdade, bebe exageradamente porque não tem autocontrole).

- “Fui mal na prova porque caiu matéria que ainda não havia sido dada”(o aluno foi reprovado porque não estudou para a prova).

- “Não consegui aquele relógio porque não estava interessado e nem era tão bonito assim...” (Na verdade, não teve meios financeiros para adquiri-lo.).

Neste momento, torna-se inevitável identificar os liames das fragilidades e das dificuldades morais do ciclo vicioso e negativo já instalado, como o egoísmo, a culpa, o ciúme, a inveja, a raiva, a indiferença, o orgulho, a tristeza, as mágoas, a ansiedade, o medo, o ressentimento, a humilhação, a rejeição, a vergonha, e a depressão. Portanto o indivíduo identifica a existência de uma face escura, oculta e é preciso ter coragem para se enfrentar, pois nem as pessoas ou as coisas são como aneladas por ele.

Quando o indivíduo opta pelo enfrentamento dos conflitos assimila que é inevitável o autodescobrimento. Percebe que por meio das suas dores existe sempre um aprendizado oculto. Dessa maneira, passa a desvendar os seus conflitos camuflados e segue e busca da cura do sofrimento e da dor.


TERAPIA DE APOIO
 
Diante de qualquer distúrbio orgânico, psicológico, mental ou emocional, se faz necessário um tratamento com terapêutica especializada, levando-se em consideração que a origem de todo infortúnio advém do Espírito, visto que nele se encontra o gérmen de qualquer enfermidade.

Este momento é imprescindível para o indivíduo compreender o fundamento da dor que lhe atormenta. Portanto, para libertar-se da bagagem emocional que tem afligido, é necessário encará-la. Isso não significa reviver e remoer velhas mágoas e feridas do passado e trazer à tona como uma avalanche de revés que irá amargurá-lo por dias ou semanas, torturando-o. Não! Irá fazer um mergulho interior para identificar as emoções que ficaram travadas, os desafios não superados pela dor, as alegrias sufocadas, o coração fragmentado e amofinado a ser recomposto.

É preciso compreender que existe outra dimensão da dor não identificada e que essa vem de um passado transitório. O indivíduo não tem lembranças conscientes sobre tal passado e por isto diz que é algo muito pessoal o que sente e traz consigo. Também é necessário admitir que a dor é somatizada a situações vivenciais em relacionamentos que tem rotulado como os únicos agentes dessa dor.

Para tal, irá identificar cada período da vida que traz cargas de emoções negativas e se encontram adormecidas no inconsciente desde a infância. Criará um mecanismo de estrutura de apoio, utilizando um bloco para diagnose, descrevendo minuciosamente cada ciclo de emoções que realmente marcou cada fase de sua vida. Os passos a seguir o ajudarão nesta identificação.

- Relembre os relacionamentos complexos separadamente. Os diálogos, os sentimentos, as sensações que ficaram guardadas e as que foram externadas, as barreiras enfrentadas, a rejeição, a raiva, a estagnação, os atritos, as proibições, as justificativas, os embaraços, os medos, as perdas, os constrangimentos, enfim, as angústias dos vínculos afetivos.

- Observe agora individualmente cada fase, calmamente e com especial atenção. Não tenha pressa. Não queira elaborar a diagnose de toda memória emocional de uma só vez, banalizando todo sentimento. Perceberá que, ao enfrentar tal emoção, houve uma ação psicossomática onde algum órgão funcionou como válvula de escape, recebendo toda descarga energética não suportada na mente. Na realidade, as emoções provocam transformações no organismo, inibindo ou liberando a produção de substâncias como adrenalina, cortisol e serotonina.

- Inicie agora o mergulho interior. Para isso, é preciso tomar consciência da sua respiração e silenciar a mente antes de fazer a rememoração.

- Respire de forma estável e salutar, aliando o controle da respiração à inserção da meditação, conforme as etapas a seguir:

 * Acomode-se em posição confortável em uma poltrona, mantendo a coluna ereta de maneira que se sinta tranquilo e aprazível.

* Com os olhos fechados, observe sua respiração e conecte-se com a movimentação do ar que está naturalmente aspirando e expirando.

* Conforme for percebendo mais e mais a respiração, vá se desligando do ambiente externo, de qualquer som ou pequeno movimento que possa haver, como também dos pensamentos que surgem à mente.

* Em estado de relaxamento, aspire o ar suavemente pelas narinas e leve-o até a região baixa dos pulmões, expandindo o abdômen à medida que o ar vai entrando.

* Conserve o ar retido por alguns segundos, somente para efetuar uma pequena pausa respiratória. Em seguida, libere lentamente o ar pela boca entreaberta, até esgotar todo o ar dos pulmões. Faça outra pequena pausa no movimento da respiração, mantendo-os vazios por alguns segundos antes de repetir à dinâmica.

* Pratique pelo tempo que sentir ser conveniente à sua harmonia, conservando em ritmo estável e sempre respeitando seu limite. Cinco minutos, dez minutos, quinze minutos, trinta minutos? O tempo que sentir bem-estar, segurança e conforto.

* Praticar diariamente a respiração diafragmática por alguns minutos, traz grandes benefícios: reduzindo o estresse e as tensões, como também revitaliza a energia e fortalece a resistência mantendo a mente mais tranquila. Desta forma desenvolverá a consciência essencial para a meditação.

* Após iniciar o processo aspirar e expirar por completo por três vezes, permaneça na mesma posição, de forma confortável, absoluto e consciente, e inicie seu mergulho interior, aspirando o ar lentamente e examinando nos recantos das lembranças desde quando e de onde vem esta dor?

* Quem eram as pessoas vinculadas ao relacionamento desditoso no seu passado? Qual foi exatamente o contexto em que se deu a situação desagradável? Em que período isso ocorreu, seja na infância, na adolescência, na vida adulta ou até na atualidade? Quais eram os sentimentos que o envolviam em tal ocasião?

* Identifique o sentimento que lhe aflora, dê um nome a esta dor: mágoa, ressentimento, medo, raiva, revolta, rejeição? Siga em frente e não se envergonhe do sentimento que acabou de reconhecer. É natural se surpreender ao identifica exatamente o que se sente. Comumente, o indivíduo carrega uma bagagem de dor emocional por longos anos ou até mesmo por uma vida toda e não consegue se libertar por sequer saber o que sente somente a dor. Por isso, anote tudo, até esgotar as ações e emoções e sentir-se desabafado.

* Sirva-se do Bloco do Mecanismo de Estrutura de Apoio para efetuar a diagnose sobre o mesmo contexto conflituoso, mas por outro aspecto: colocando-se no lugar da outra pessoa. Descreva no bloco o que estaria pensando no lugar dela no momento do conflito? Qual o real motivo que a teria levado a confrontá-lo? Como estaria se sentindo? Quais as emoções externadas e as retidas por ela também? Quais os constrangimentos sentidos por ela, medos, raivas, justificativas, perdas, angústias? Anote até sentir-se aliviado e extenuar todas as emoções.

- Dispõe agora de duas interpretações completas, anotadas no seu Bloco do Mecanismo de Estrutura de Apoio. Necessitará de mais uma interpretação, utilizando uma terceira visão. Para essa, porém, será necessário que se desprenda das duas perspectivas anteriores e das emoções a que elas o levaram.

* Aplique o mesmo mecanismo, porém, agora, simplesmente narrando uma história, olhando-a de fora do contexto, referindo-se a duas pessoas desconhecidas. Identifique-as como duas personagens, com nomes diferentes da vida real. Narre o contexto de ambas as partes, sob as suas perspectivas e ao sabor das emoções de quem conta uma história.

* Concluída mais essa etapa, desconecte-se do conflito em referência e retorne ao ciclo de respiração diafragmática até sentir-se relaxado, com a mente serena, sem pensar nas emoções volvidas, ou em qualquer lembrança desagradável.

Seu olhar diante do fato já não lhe fere mais a alma, pois conseguiu penetrar nos diferentes lados, nas causas e nas emoções geradas pelo mesmo fato. Dessa forma, na segunda etapa, ao colocar-se no lugar do outro, identificando outras emoções até então não sentidas. Quando estiver na terceira etapa, já conseguiu desprender-se do ponto de vista que o manteve paralisado e, com certa leveza e, até talvez, certo humor, narrar o ocorrido.

  Nise da Silveira

Psicografia de Iraci Campos Noronha – Livro Reconstruindo Emoções.

domingo, 31 de março de 2019

SENTIDO DA VIDA



Acredito que a maioria das pessoas deseja obter uma resposta confortável e consistente a respeito do sentido da vida e da própria existência. A maioria vive alienada, sem consciência de si e sem uma compreensão ampla dos processos que atravessa. Muitos preferem moldar-se a um sistema provisório, tomando-o por definitivo, enquadrando o Universo e suas leis num pequeno punhado de fenômenos. Ainda não perceberam que a Vida se auto constrói e está em constante dinamismo e transformação. Neste processo de auto construir-se, o ser humano é simultaneamente agente e objeto. Ao mesmo tempo em que estamos sujeitos às leis universais, participamos também de sua elaboração. Isso pode parecer paradoxal ou presunçoso, mas é como percebo a singularidade humana. Não somos apenas os artífices do nosso destino, mas também colaboradores da forma como o Universo age sobre nós próprios. As leis, que nos pareciam imutáveis, são constituídas de acordo com a evolução do ser humano. A submissão do ser humano às leis do Universo contrasta com a sabedoria de Deus, pois seria mais coerente com a mesma pensar num sistema que s auto cria. O sentido da vida pode ser mais bem percebido na medida em que ampliamos nosso campo de experiências, de percepção e de compreensão a respeito do deus interno.

O sentido da vida parece ser algo singular, próprio, pessoal e intransferível. Contrariando a tendência em se acreditar num sentido único, coletivo e uniforme, a vida parece revelar sentidos diversos para cada ser humano.

O sentido da vida passa pela personalidade em seu momento evolutivo. Não se pode descobrir o sentido da própria vida sem se enxergar as experiências vividas, bem como aquelas que inevitavelmente terão que ser experienciadas.

O sentido da vida se modifica a cada fase. Geralmente as ideias a este respeito começam na adolescência, quando a pessoa pretende e necessita se situar no mundo. A depender da personalidade, o sentido encontrado poderá ser determinante para todas as outras fases da vida. Na idade adulta jovem, que se inicia logo após a adolescência, vários sentidos vão sendo perseguidos, principalmente aqueles de ordem mais prática e coletiva. À medida que os processos vividos vão se tornando mais complexos e mais intensos, notadamente após os trinta anos de idade, os sentidos encontrados nas fases anteriores se afunilam, sendo condensados em poucos ou num só. A partir da meia-idade, a procura de um sentido único para a própria vida se torna uma obrigação. A certeza da morte torna obrigatório o encontro de um sentido para a vida.

O sentido da vida é vivê-la, sentindo cada experiência como algo novo, surpreendente e capaz de promover um encontro do indivíduo com sua natureza essencial. Para isso é preciso entender que o futuro é um grande mistério, porém factível de ser parcialmente construído.

A palavra esperança é normalmente utilizada no sentido de acreditar num futuro melhor ou na postura interior de confiar que tudo acabará bem. Nem sempre os resultados que se espera alcançar corroboram esse significado. Talvez devêssemos criar outra palavra que se refira a um estado de equilíbrio diante das incertezas e possibilidades do destino pessoal. Ou então, esperança deva ser entendida como o encontro de um significado para cada momento que se vive. Ter esperança é encontrar um significado para o que se faz. Mesmo que as circunstâncias sejam adversas e nada saia como esperado, entrando-se um significado e um sentido para o momento que se vive, o equilíbrio ocorre. Esperança é encontrar o sentido do passado, do presente e do futuro. É ter consciência do que está fazendo, dando-lhe um sentido e, mesmo que não atinja os objetivos pretendidos, saber que valeu a pena ter vivido aquilo. A vida pede à consciência um significado, pois é ele que permite o equilíbrio psíquico.

Sempre considerei o destino algo mutável, como se o próprio Deus contemplasse a mutabilidade em seus desígnios, sem que isso afetasse Sua suprema inteligência e sapiência. Esta consideração permite que entendamos o sentido da vida como algo flexível, como tudo no Universo. Toda rigidez contrasta com a suprema sabedoria.

O grande vazio que o ser humano enfrenta é quando constata a ausência de um sentido para sua existência, mesmo que o tenha preenchido com coisas e pessoas. As experiências da vida devem estar conectadas entre si, mesmo que em blocos, para os quais se deve encontrar um ou mais sentidos.

Certa vez, no Centro Espírita, procurou-me uma mulher muito elegante. Parecia uma pessoa bem sucedida, com gestos finos e muito bem vestida. Seu porte indicava nobreza e equilíbrio. Disse-me que tinha cerca de quarenta anos, era casada – fez questão de dizer que se considerava bem casada – com um homem muito bom e provedor. Tivera três maravilhosos filhos, todos bem encaminhados, que não lhe deram o menor trabalho na criação. Ela tinha se formado em arquitetura e era bem sucedida em sua profissão. Seu marido era jornalista e muito conhecido. Sua casa era bem frequentada e tinha numerosos familiares queridos. Enquanto falava, seus olhos iam se enchendo de lágrimas. Sem conseguir conter o choro, parou sua narrativa e, para minha surpresa, disse: tenho tudo o que quero, recebi da Vida mais do que pedi, gozo de boa saúde, mas com tudo isso, não sou feliz. Terminou sua fala me perguntando: qual a causa disso? Olhei em seus olhos e falei que a crise que estava acontecendo dentro dela era sinal de que estava acordando de um sonho e que deveria agora procurar o sentido de sua vida. Falei-lhe da espiritualidade a ser buscada e da consciência de ser imortal, como novos paradigmas e serem internalizados. Desse dia em diante passou a dedicar-se ao estudo do Espiritismo. Como ela, muita gente está descobrindo a necessidade de encontrar um sentido transcendente para a própria vida. A moderna civilização, com seus desafios de adaptação impostos as ser humano, fazendo-o desenfreadamente buscar realizações no campo material, não tem sido capaz de apresentar propostas consistentes que evitem tais crises. Mesmo considerando os avanços da filosofia, da psicologia e da religião, o ser humano ainda continua perdido entre teorias confusas e incompletas. É preciso educar o ser humano para o seu destino e para o significado oculto da vida.

O sentido da vida é descobrir quem se é e, a partir daí, auto determinar-se sem os limites da ignorância a respeito de sua própria essência. Essa tarefa deve ser executada durante várias encarnações. Em uma só, salvo para quem já se encontra mais adiantado espiritualmente, é difícil alcançar a consci6encia de quem verdadeiramente se é. A realização de suas habilidades, tendências e a descoberta dos aspectos obscuros de sua própria personalidade devem ser os grandes desafios daqueles que levam a sério sua existência.

Enquanto não se alcança a consciência de quem se é, deve-se viver a vida aplicando-lhe sentidos provisórios. São sentidos provisórios: amar verdadeiramente alguém, trabalhar honestamente para o desenvolvimento da sociedade, constituir e manter harmonicamente uma família, contribuir para a disseminação de ideais nobres na sociedade, alcançar estabilidade emocional, ter equilíbrio financeiro adequado, auxiliar entes queridos em sua evolução, acrescentar virtudes à personalidade, adquirir novos saberes e desenvolver novas habilidades, construir uma rede de amigos, administrar adequadamente o patrimônio que construir etc.

Seria conveniente escolher um sentido para a vida, mesmo que ele venha a ser abandonado quando encontrar outro mais adequado. Viver sem um sentido para a vida é o mesmo que estar num barco à deriva em alto mar. Quando isso ocorre, a depressão pode surgir como sintoma.

Sempre abriguei a ideia de que o destino humano está associado à concepção de um sentido à vida. O que se idealiza para si interfere no destino pessoal. Cada um de nós constrói o próprio destino de acordo com os sentidos que aplica ao longo da existência. A construção dessa concepção passa para o inconsciente. A ideia de um paraíso ou de um final feliz para a vida, útil e necessária, também contribui para a criação de expectativas. Quando não alcançadas e sem a consciência de que a Vida sempre propõe algo diferente, a infelicidade estará presente.

Toda experiência humana deve ser avaliada de acordo com um sentido interno e outro externo. Devemos sempre fazer as seguintes perguntas:


O que a Vida que me ensinar com isso?
O que preciso aprender com o que se passa comigo?
O que sinto e o que devo fazer com tal emoção, visando meu próprio crescimento?


Seguir a vida sem se questionar sobre as razões de suas ocorrências, nem atentar para os sinais que são constantemente enviados, parece-me alienação, bem como o fato de perceber e não valorizar ou não interpretar seus significados.
A vida pede ou exige um sentido. Inicialmente ele é buscado como algo coletivo, adquirido pela educação, pela Religião ou pelos modelos sociais comuns. Posteriormente, com o amadurecimento do indivíduo, ele busca seu próprio sentido para a vida.

É preciso entender que o que se passa externamente conosco, guarda estreita relação com o que se passa em nosso mundo consciente e inconsciente de si mesmo como espírito eterno e construtor de seu próprio destino.

Extraído do Livro Mito Pessoal e Destino Humano – Adenáuer Novaes

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

A FELICIDADE NA SELFIE X A FELICIDADE DA REALIDADE - Rossandor Klinjey



Lembra-se daquela história que eu contei do casal no restaurante japonês que interrompeu uma briga, tirou uma selfie sorrindo e depois voltou a brigar? (ver cap. 3) Pois é. Isso evoca uma reflexão muito necessária hoje, pois envolve a construção social de uma falsa noção de felicidade.

Por meio da selfie, que é uma nova possibilidade de autor representação gerada pelos smartphones, ao proporcionar à pessoa a chance de tirar fotos de si mesma sem necessitar da ajuda e, consequentemente, do olhar de terceiros, o indivíduo é capaz de criar um personagem que vive uma realidade alternativa. Afinal, ninguém, vai saber se aquele sorriso naquele ambiente bonito realmente reflete um estado interior ou se é apenas uma criação mental, teatral mesmo, a depender das reais circunstâncias que se apresentam e que não estão ao alcance de quem vê aquela fotografia.

No caso desse casal, ao mens publicamente, ele era feliz. A pessoa que está solitária e desiludida com a própria capacidade de encontrar um bom parceiro para compartilhar a vida não terá acesso aos bastidores da história, que trazem a realidade do conflito natural e inerente em determinados momentos da vida e da própria convivência a dois. Ela apenas verá a fotografia de um momento (forjado) de felicidade. E com isso poderá facilmente chegar à triste conclusão de que tem uma vida miserável.

As mídias sociais têm se mostrado um terreno fértil para a comparação social, especialmente ao que as ciências do comportamento humano nomeiam de “comparação social ascendente.”.
Nesse tipo de comparação, as pessoas sentem que a vida dos outros são melhores do que as suas. Esse sentimento é reforçado pelo simples fato de as postagens nas redes sociais tenderem a demonstrar os momentos positivos e felizes às pessoas, como frequência bem maior que os momentos difíceis pelos quais todos passamos.

Dificilmente seu cunhado irá postar a louça do fim de semana por lavar e o tédio dos programas dominicais, mas o churrasco com os amigos serão motivos de stories e vários selfies.
Essa enxurrada de fotos e postagens de vidas felizes, desfilando em nossas timelines, leva-nos, a um sentimento de impotência e de vida sem graça. Nossa vida fica monótona e pobre, em todos os sentidos, comparando-se com as demais postagens nas redes sociais.

Essa sensação é mais cruel naquelas pessoas que se comparam com mais frequência, pois são mais suscetíveis a sofrer os efeitos provocados por publicações de excessiva felicidade, o que causa uma onde de inveja, gerando mais angústia, pois você começa a invejar pessoas que você gosta, e esse sentimento leva culpa ou a relações falsas a comentários sarcásticos.

Ao se apegar aos modelos que o mundo considera como os mais adequados para se encontrar a felicidade, você apenas está condicionando este estado de espírito a fórmulas que podem até ser consagradas, mas que, na verdade, não correspondem a uma experiência verdadeira.

Outro fenômeno alimentado pelas mídias sociais é o Fear of missing out (FoMO ou medo de perder, de estar fora, numa tradução livre). É uma falsa sensação de que as pessoas estão em experiências incríveis e você não está participando delas. E para ter uma “certeza” de que você não irá ficar de fora, você aumenta o seu desejo de estar conectado nas redes sociais para ver o que os outros estão fazendo o tempo todo. Desse modo podemos também dizer que FoMO é um medo d arrependimento. Esse medo acaba levando a uma excessiva preocupação de perder eventos sociais, informações dentre outras coisas.

Não é de se espantar, portanto, que as pessoas mais propensas a verificar compulsivamente as mídias sociais, seja dirigindo o carro, enquanto na rua, são as que experimentam níveis elevados de Fear of missing out FoMO, medo de perder ou medo de ficar de fora.

Conectar-se a quem está próximo e de forma leve e simples tem se revelado algo muito salutar na vida das pessoas. Desconectar-se do virtual para conectar-se ao real.

Atualmente, muitas pesquisas na área neurológica e do comportamento humano, mostram, por exemplo, que uma noite em uma mesa tomando café e comendo tapioca, na companhia de amigos que você gosta muito, gera uma compensação psicológica e emocional maior do que comprar um carro novo.

Sabe, por quê? Porque nunca são as coisas que nos deixam mais ou menos felizes. Sempre são pessoas. Quando ouvimos falar em mágoa, tem a ver com pessoas. O mesmo se dá com o perdão e o ressentimento. No entanto, a sociedade precisa nos dizer que a felicidade corresponde àquilo que nós construímos ou podemos comprar.

Um dos motivos da depressão coletiva na Brasil é que deixamos de ir ao shopping Center por conta da crise econômica que assolou o nosso país. Como não está dando nem para pagar a feira, comprar roupa não rola! Ver filme, comprar pipocas, idem. Nesse caso, precisamos ficar em casa mesmo.
Tenho observado, porém, que as pessoas estão se apoiando mais. Não estou afirmando que precisamos ficar em crise, longe disso! Apenas estou dizendo que essas crises nos obrigam a lançar o olhar sobre aquilo que é essencial. Já que no momento de crise financeira não podemos nos enganar e viver num frenesi de consumo para tampar nossas faltas, só nos resta ir à busca do que realmente nos preenche que são as pessoas e o modo como nos relacionamos com elas.

Por isso, cada vez mais fica evidente que os relacionamentos afetivos (amigos e parentes) são que temos de mais valioso. Eles são um elemento crucial na proteção da nossa saúde mental.
O apoio emocional é apenas uma das muitas contribuições que as relações afetivas (amigos e familiares) têm em nossa vida, e são promotoras de saúde. Mas, em se tratando de nossos dias, as pessoas estão com poucos ou nenhum amigo e distantes de seus parentes.

Pode parecer contraditório que isso ocorra em plana época das redes sociais e conectividade digital. Mas, na vida humana, apesar dos muitos seguidores em nossas redes sociais, eles contam muito pouco ou quase nada, quando se trata d sua saúde e felicidade.

Conta mesmo àqueles amigos e parentes que não são virtuais, que não estão apenas dando bom dia no grupo de WhatsApp. Contam aqueles que têm abraçam e te levam um mimo, ouvem suas angústias e contam as deles. Esses sim são os que provocam um profundo impacto positivo em nossa felicidade, bem como nós provocamos na deles.

Portanto, faça o seguinte, troque cinquenta amigos virtuais por um amigo real. Troque o grupo de WhatsApp da família pela visita semanal a um parente. Troque duzentas visualizações de pessoas felizes em selfies pela visão do sorriso de alguém que te quer bem e recebe sua visita, e você verá como sua vida terá mais felicidade e mais sentido.

Rossandro Klinjey – cap. 11 – Livro Eu escolho ser Feliz




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