Curar não se parece com um triunfo imediato, nem como uma luz acesa o tempo todo.
Curar, muitas vezes, manifesta-se como cansaço, como silêncio, como a necessidade de olhar novamente para aquilo que você acreditava já ter superado.
É um processo íntimo e profundo, por vezes desconfortável. Porque curar não é esquecer. É ter coragem de sentir sem fugir.
Quando a cura começa, as feridas do passado não desaparecem de um dia para o outro. Primeiro, elas falam. Pedem para ser ouvidas com amor, não com julgamento.
E então surge a parte mais delicada do caminho: permanecer consigo mesmo. Sustentar a própria história. Acolher quem você foi quando ainda não sabia fazer diferente.
Curar exige vontade. Não a vontade dura que força, mas a vontade amorosa que escolhe, repetidas vezes, não se abandonar.
É dizer “eu fico” quando tudo dentro de você quer escapar.
É permitir que a dor se transforme em compreensão e amadureça em sabedoria.
E mesmo que o caminho não seja simples, algo sagrado acontece quando você decide curar. Partes da sua alma, que ficaram presas no passado, começam a retornar. Você volta a habitar o corpo com mais verdade, o coração com mais ternura, a vida com mais presença.
Curar não faz de você alguém perfeito.
Faz de você alguém mais real.
Mais humano.
Mais livre.
E isso, mesmo quando dói, é um dos atos de amor próprio mais profundos que uma alma pode escolher.
Namastê.
Busque conhecimento. Emita amor. Seja luz.
Olhares sobre o Viver · Escolinha Espiritualista
Texto: Julieta Yoshimura
Título: Elaine Pita



