Reflexões espiritualistas sobre o viver, o sentir e o despertar da consciência, respeitando a diversidade de crenças e experiências humanas.
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domingo, 30 de setembro de 2018
AS BASES DOS TRANSFORMAR-SE - MANUAL PRÁTICO DO ESPÍRITA
1- Allan Kardec Estabelece as Bases
2- Reforma Íntima em Seis Perguntas
3- O Conhecimento de Sí Mesmo
4- Como Conhecer-se
5-No Convívio com o Próximo
6- O Conhecer-se pela Dor
7- O Conhecer-se pela Auto-Análise
8 Faça uma Avalição Individual (..em construçao)
Pondere e procure decidir-se
O que foi abordade até aqui teve como objetivo levar o leitor a refletir sobre a importancia do Conhecimento de Si Mesmo, que é a chave do melhoramento individual.
Analise agora suas respostas (8), dadas a esse pequeno teste, e conclua por você mesmo como se rencontra diante desse trabalho de exploração da sua consciência. É evidente que muito pouco sabemos sobre nós mesmos, mas chegaremos, agora ou depois, cedo ou tarde, à conclusão de que um dia desejaremos ser consuzidos pela própria vontade no caminho do bem. Então, o primeiro passo é exatamente esse: Conhecer-se a Si Mesmo.
Convidamos você a tomar agora a decisão de realizar esse trabalho, caso ainda não o tenha feito ou, se quiser, seguir a leitura abaixo indicada, para maiores reflexões. Os próximos cap lhe farão conhecer o campo de batalha a ser enfrentado dentro de você mesmo.
Leia par alicerçar seus propósitos
Allan Kardec
O Livro dos Espíritos.
a) Conhecimento de Si Mesmo. Perg 919 e 919a
b) Pluralidade das Existências. Perg 166 a 170
O Evangelho Segundo o Espiritismo.
a) Cap XVII. Sedes Perfeitos, itens 3,4 e 7
b) Cap XI. Amar ao Próximo como a Sí mesmo, itens 1,2,3,4, e 8
c) Cap V. Bem-Aventurados os aflitos, itens 1,2,3, e 4
O Céu e o Inferno
a) 1parte. Cap VII. As Penas Futuras Segundo o Espiritismo: Código Penal da Vida Futura.
André Luiz
No Mundo Maior. Cap III A Casa Mental.
Emmanuel
Rumo Certo. Cap XXIII. Auto-Aprimoramento
AS BASES DO TRANSFORMAR-SE - O CONHECER-SE PELA AUTO-ANÁLISE
"Compreendemos toda a sabedoria dessa máxima (Conhece-te a ti mesmo) mas a dificuldade está precisamente em se conhecer a si próprio. Qual o meio de chegar a isso?"(Allan kardec, O Livro dos Espíritos. Perg 919A.)
À pergunta formulada pro Allan Kardec, responde Santo Agostinho, oferecendo o resultado de sua própria experiência:
"- Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra; ao fim de cada dia interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e me perguntava a mim mesmo se não tinha faltado ao cumprimento de algum dever, se ninguém teria motivo para se queixar de mim. Foi assim que cheguei a me conhecer e ver o que em mim necessitava de reforma".
Ainda ensina Santo Agostinho, perante a dúvida de como julgar-se a si mesmo:
"Quando estais indeciso quanto ao valor de vossas ações, perguntai como as qualificaríeis se tivessem sido praticadas por outra pessoa. Se as censurardes em outros, essa censura não poderia ser mais legítima para vós, porque Deus não usa de duas medidas para a justiça".
Insiste, depois, aconselhando:
"Formulai, portanto, perguntas claras e precisas, e não temais multiplicá-las".
Através desse processo viremos a nos conhecer, procurando deliberadamente realizar o trabalho de auto-análise, e não apenas nos deixando seguir ao sabor do tempo, reagindo e respondendo nas ocorrências do cotidiano, quando atingidos formos na nossa sensibilidade, ou, ainda, pela ação lapidadora da dor, que por algumas vezes sacode a nossa consciência.
A auto-análise é um processo sistemático e permanente de efeitos diários e contínuos, pois vamos ao encontro de nós mesmos para explorar o nosso terreno íntimo, cultivando-o preparando-o para produzir bons frutos.
Santo Agostinho interrogava a sua própria consciência e diariamente examinava os seus atos, conhecendo o que precisava melhorar e desenvolvendo a força interior de aperfeiçoar-se.
A consciência é o campo a se explorado e cultivado, dela extirpando as más tendências com o esforço da nossa vontade.
A consciência reside na mente, que se constitui, conforme nos esclarece André Luiz, de modo semelhante a um edifício de três pavimentos. No andar inferior está o inconciente, com todo o acervo de experiências do passado, guardando imagens, quadros onde as emoções vividas ligam-se igualmente. Nas camadas mais profundas do inconciente arquivam-se as histórias de nossas existências anteriores, a refletirem-se hoje através das reminiscências. No pavimento intermediário está o nosso consciente, o presente vivo, a faculdade pensante, a reflexão, a memória. No andar superior, o superconciente, a esfera dos ideais, dos propósitos nobres e das disposições divinas, a chama impulsionadora do nosso progresso espiritual, alimentada pelos Planos Superiores da Criação.
O consciente pode, quando robustecido e treinado, penetrar nos domínios do inconciênte, remontar os registros de nossa historia, recordar as experiências vividas para que as analisemos sob novos ângulos, e modificar aquelas disposições antigas, com a visão ampliada de hoje. Ao mesmo tempo o consciente conjuga, ao receber do superconciênte os rumos delineadores da nossa evolução, os dados do passado, do presente e do futuro, e, computando-os com os recursos da inteligência, apresenta os resultados sob forma de impulsos que nos levam a resoluções, a novos procedimentos. É um surpreendente mecanismo que nos faz avançar sempre ou, quando não, ao menos estacionar, mas nunca regredir.
É importante que deliberemos acelerar o nosso avanço, potencializando o nosso consciente pela auto-análise,o seu alcance e o seu domínio sobre nós mesmos, e exercendo constantes e progressivas mutações individuais.
O processo de auto-análise pode e deve ser utilizado mais intensamente pelo homem, como meio de auto-educação permanente e ordenada.
Precisando sair da condição de indivíduos conduzidos pelos envolvimentos do meio, reagindo e mudando, para passarmos ``a categoria de condutores de nós mesmos, com amplo conhecimento das nossas potencialidades em desenvolvimentos.
É um trabalho de superar a densidade da nossa animalidade, o peso da inércia aos impulsos espiritualizantes, alcançando esferas vibratórias mais elevadas, que passam a modificar a constituição sutil dos envoltórios espiritual e mental.
Apontamos, adiante meios eficazes para progressivamente enveredarmos nessa senda, utilizando-se a prática da auto-análise e desenvolvendo a nossa vontade no combate aos vícios e aos defeitos.
Extraído o livro Manual Prático do Espírita - Ney Pietro Peres
segunda-feira, 12 de março de 2018
AS BASES DO TRANSFORMAR-SE - O CONHECER-SE PELA DOR
“Todos quantos sejam feridos no coração por reveses e decepções da vida, consultem serenamente a sua consciência, remontem pouco a pouco à causa dos males que os afligem, e verão, se as mais das vezes, não poderão confessar: se eu tivesse feito, ou se não tivesse feito tal coisa, não estaria nesta situação.”( Allan Kardec O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap V Bem Aventurados os Aflitos)
A transgressão aos limites da nossa liberdade de ação, dentro do equilíbrio natural que rege as existência, é quase sempre por nós reconhecida somente através das consequências colhidas através dos efeitos das reações que nos atingem. A semeadura é livre, a colheita é obrigatória.
“Quem semeia ventos, colhe tempestades.”
Pela dor retificamos as nossas mazelas do ontem longínquo ou próximo: de outras existências ou da presente vida. Indubitavelmente, os processos de sofrimento, nas suas mais variadas formas, provocam, na nossa alma, o despertar da consciência e a ampliação do nosso grau de sensibilidade, para percebermos os aspectos edificantes que o coração, nas suas manifestações mais nobres, pode realizar.
Quando enfermos, vítimas do nosso próprio desequilíbrio, sofremos os males físicos das doenças contraídas pela falta de vigilância, que abre nossas defesas vibratórias às investidas bacterianas no campo orgânico. É n tratamento e no restabelecimento da saúde que somos naturalmente levados a meditar sobre as origens e os motivos da doença. Se estamos conformados e obedecemos as orientações médicas, mais rapidamente nos recompomos; se, porém, somos inflexíveis e descremos da necessidade de mudar nossos hábitos, mais lentamente nos restabeleceremos. Quem passa por um período de tratamento, sente e sabe o que sofreu e, nem que seja apenas por autodefesa, toma certos cuidados, como mudar seus costumes, transformar sua conduta, para que não venha a ter uma recaída e, assim, sofrer as mesmas dores, repetir as experiências desagradáveis.
Realizar-se, desse modo, um processo de autoconhecimento com relação a alguns aspectos de nosso comportamento, cde nossa forma de vida.
Nessas ocasiões em que adoecemos, muitas vezes somos obrigados a permanecer imóveis num leito, semiconscientes ou sentindo dores dilacerantes, à beira do desespero, por vários dias. E quando recebemos o alívio confortador de uma vibração suave, transmitida por um coração amigo que nos cuida ou nos visita como ficamos agradecidos! Como reconhecemos os valores aparentemente insignificantes dessas expressões de carinho! E quem recebe desperta em si o desejo de proporcionar a outros o mesmo alívio, o mesmo bálsamo. Amplia-se, assim, a nossa sensibilidade ao sofrimento do próximo, além do fortalecimento da fé na bondade do Criador e dos próprios corações humanos. Quantas criaturas não se transformam radicalmente depois de uma grave enfermidade? Quantos não descobrem dentro de si os valores eternos do espírito, após terem sofrido longos períodos de tratamento ou perdas irreparáveis de entes queridos, após padecerem com dores morais, desilusões de caráter afetivo ou dificuldades materiais, que nos ensinam a valorizar as coisas simples da vida? Quantos que, estando à beira da morte, hoje valorizam a vida, praticando caridades e distribuindo carinho ao próximo?
As dores, sob qualquer forma, ensinam-nos profundamente a nos conhecer, a nos transformar, e, por mais que soframos, precisamos ter a disposição íntima de agradecer, porque no mundo de facilidades e de atrativos para os impulsos do ser imediatista e físico que ainda abrigamos, são as oportunidades que a dor nos proporciona, algumas das maneiras mais eficazes de transformação desse homem animalizado e insensível. Valorizemos a nossa dor, tomemos a nossa cruz e com ela caminhemos para a nossa redenção.
Extraído o livro Manual Prático do Espírita - Ney Pietro Peres
domingo, 11 de março de 2018
AS BASES DO TRANSFORMAR-SE - CONHECER-SE NO CONVÍVIO COM O PRÓXIMO
“Amar ao próximo como a si mesmo, fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, é a mais completa expressão da caridade, pois que resume todos os deveres para com o próximo”( Allan Kardec O Evangelho Segundo o Espiritismo cap XI amar aos próximo como a si mesmo)
No relacionamento entre os seres humanos, as experiências vividas ensinam constantemente lições sociais, através de nossas reações com o meio e das manifestações que o meio nos provoca.
O campo das relações humanas, já pesquisado amplamente, talvez seja a área de experiências mais significativa para a evolução moral do homem.
O tempo vai realizando progressivamente o amadurecimento de cada criatura, na medida em que aprendemos, no convívio com o próximo, a identificar nossas reações de comportamento e a discipliná-las.
O relacionamento mais direto acha-se o meio familiar, onde desde criança brotam espontaneamente nossos impulsos e reações. Nessa fase gravam-se impressões em nosso campo emocional que repercutirão durante toda nossa existência. Quantos quadros ficam plasmados na alma sensível de uma criança. Quadros esses que podem levá-la a inconformações, angústias profundas, desejos recalcados, traumas, caracterizando comportamentos e disposições na fase da adolescência e na adulta.
Guardamos do relacionamento com os pais, irmãos, tios, primos e avós, os reflexos que mais nos marcaram.
Começamos, então, numa busca tranquila, a conhecer como reagimos e por que reagimos, na infância e na adolescência, aos apelos agressões, contendas, choques de interesses. Essas reações emocionais, que normalmente não se registram com clareza nos níveis da consciência, deixam, entretanto, suas marcas indeléveis nas profundidades do inconsciente.
Importantes são as suaves e doces experiências daqueles primeiros períodos da nossa vida, quando os corações amorosos de uma mãe, de um pai, de um irmão, de uma professora, pelas expressões de carinho e de compreensão, aquecem nossa alma em formação e nela gravam o conforto emocional que tantos benefícios nos fizeram, predispondo-nos às coisas boas, às expressões de amor, que, por termos conhecido e recebido, aprendemos a dar e a proporcionar aos outros. Essas ternas experiências constituem necessários pontos de apoio ao nosso espírito, para que possamos prosseguir e ampliar nossas obras nas expressões do coração.
No convívio escolar, iniciamos as primeiras experiências como o meio social fora dos limites familiares. As reações já não são tão espontâneas. Retraímo-nos às vezes; a timidez e o acanhamento refletem de início a falta de confiança nas professoras e nos colegas de turma. Aprendemos paulatinamente a nos comportar na sociedade, com reservas. Sufocamos, por vezes, desejos e expressões interiores, e até mesmo defendemos com violência nossos interesses, mesmo que ainda infantis. E também brigamos com aqueles que caçoam de alguma particularidade nossa. Quase sempre retribuímos com bondade aos que são bondosos conosco. E devolvemos insultos aos que nos agridem. Sem dúvida são reações naturais, embora ainda bem primárias.
Vamos assim caminhando para a adolescência, fase em que nossos desejos se acentuam. O querer começa a surgir, a auto-afirmação emerge naturalmente, a nossa personalidade se configura. Aparecem as primeiras desilusões, as amizades não correspondidas, os sonhos frustrados, as primeiras experiências mais profundas no campo sentimental. De modo particular, cada um reage de forma diferente aos mesmos aspectos do relacionamento com os outros: uns aceitam e resignam-se com os desejos não alcançados; outros, inconformados, reagem com irritação e violência e, por isso mesmo, sofrem mais. E o sofrimento é maior porque é necessário maior peso para dobrar a inflexibilidade do coração mais endurecido, como ensina a lei física aplicada à nossa rigidez de emperramento. Os mais dóceis e flexíveis sofrem menos, porque menor é a carga que lhes atinge o íntimo. Esses não oferecem restência ao que não pode possuir.
A resignação é o meio de modelação da nossa alma, característica do desprendimento e da mansuetude que precisamos cultivar.
Inúmeros aspectos desconhecidos da nossa personalidade abrem-se para a nossa consciência exatamente quando conseguimos identificar, nos entrechoques sociais, aquilo que nos atinge emocionalmente.
As reações observadas nos outros que mais nos incomodam são precisamente aquelas que estão mais profundamente marcadas dentro de nós. As explosões de gênio, os repentes que facilmente notamos nos outros e comentamos atribuindo-lhes razões particulares, espelham a nossa própria maneira de ser, inconscientemente atribuída a outrem e dificilmente aceita como nossa. É o mecanismo de projeção que se manifesta psicologicamente.
Poucas vezes entendemos claramente as manifestações de nossos sentimentos em situações específicas, principalmente quando alguém nos critica ou comenta nossos defeitos. Normalmente reagimos: não aceitamos esses defeitos e procuramos justifica-los. Nesse momento passam a funcionar os nossos mecanismos de defesa, naturais e presentes que qualquer criatura.
No convívio com o próximo, desde a nossa infância, no lar, na escola, no trabalho, agimos e reagimos emocionalmente, atingindo os domínios dos outros e sendo atingidos nos nossos. Vamos, assim, nos aperfeiçoando, arredondando as facetas pontiagudas do nosso ser ainda embrutecido, à semelhança das pedras rudes colocadas num grande tambor que, ao girar continuamente, as modela em esferas polidas pela ação do atrito de para a parte.
É interessante notar que as pedras de constituição menos dura modelam-se mais rapidamente, enquanto aquelas de maior dureza sofrem, no mesmo espaço de tempo, menor desgaste, demorando mais, portanto, para perderem a sua forma original bruta.
Esse aperfeiçoamento progressivo, no entanto, vem se realizando lentamente nas múltiplas existências corpóreas como processo de melhoramento contínuo da humanidade.
As vidas corpóreas constituem-se, para o espírito imortal, no campo experimental, no laboratório de testes onde os resultados das experiência se vão acumulando.
“A cada nova existência, o espírito dá um passo na senda do progresso; quando se despojou de todas as suas impurezas, não precisa mais das provas da vida corpórea.”( Allan Kardec O Livro dos Espíritos cap IV Pluralidade das Existências pergunta 168)
Instruirmo-nos através das lutas e tribulações da vida corporal é a condição natural que a Justiça Divina a todos impõe, para que obtenhamos os méritos, com esforço próprio, no trabalho, no convívio com o próximo.
O conhecer-se implica em tomarmos consciência de nossa destinação como participantes na obra da Criação. Dela somos parte e nela agimos sendo solicitados a colaborar na sua evolução global; Deus assim legislou.
O limitado alcance de nossa percepção e de nossa vivência em profundidade, no íntimo do nosso espírito, dessa condição de co-participantes da Criação Universal é decorrente de nossa mínima sensibilidade espiritual, o que só podemos ampliar através das conquistas realizadas nas sucessivas reencarnações.
Parece claro que caminhamos ainda hoje aos tropeços, caindo aqui, levantando acolá, nos meandros sinuosos da estrada evolutiva que ainda não delineamos firmemente. Constantemente alteramos os rumos que poderiam nos levar as correções, por isso retardamos os passos e repetimos experiências até que delas colhamos bons resultados, para daí avançarmos.
O conhecer-se é o próprio processe de autoconscientização, de reconhecimento de nossas limitações e dos perigos a que estamos sujeitos no campo das experiências corpóreas. É ponderar sempre, é refletir sobre os riscos que podem comprometer a nossa caminhada ascensional e tomar decisões, definir rumos, dar testemunhos.
É precisamente no convívio com o próximo que expressamos a nossa condição real, como ainda estamos – não o que somos, pois entendemos que, embora ainda ignorantes e perfeitos, somos obra da Criação e contamos com todas as potencialidades para chegarmos a ser perfeitos. Estamos todos em condições de evoluir. Basta querermos e dirigirmos nossos esforços para esse mister.
Uma das melhores diretrizes para chegarmos a isso é oferecida pelo educador Allan Kardec ( O Evangelho Segundo o Espiritismo cap XVII Sedes perfeitos – o Dever):
“O dever começa precisamente no momento em que ameaçais a felicidade e a tranquilidade do vosso próximo, e termina no limite que quereríeis alcançar par vós mesmos”.
Extraído do Livro Manual Prático do Espírita – Ney Pietro Peres
terça-feira, 6 de março de 2018
AS BASES DO TRANSFORMAR-SE - COMO CONHECER-SE
“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelo esforço que empreende no domínio das más inclinações.” ( Allan Kardec. E Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap XVII. Sede Perfeitos. Os Bons Espiritistas.)
A disposição de conhecer-se a si mesmo pode surgir naturalmente como fruto do amadurecimento de cada um, de forma espontânea, nata, resultante da própria condição espiritual do indivíduo, ou poderá ser provocada pela ação do sofrimento renovador que, sensibilizando a criatura, desperta-a para valores novos do espírito. Uns chegam pela compreensão natural, outros, pela dor, que também é um meio de despertar a nossa compreensão.
Um grande número de indivíduos são levados, devido a desequilíbrios emocionais, a gabinetes psiquiátricos ou psicoterápicos para tratamentos específicos. Através desses tratamentos vêm a conhecer as origens de seus distúrbios, aprendendo a identifica-los e a controla-los, normalizando, até certo ponto, a sua conduta. Porém, isso ocorre dentro de uma motivação de comportamento compatível com os padrões de algumas escolas psicológicas, quase todas materialistas.
Na Doutrina Espírita, como Cristianismo Redevivo, igualmente buscamos o conhecimento de nós mesmos, embora dentro de um sentido muito mais amplo, segundo o qual entendemos que a fração eterna e indissolúvel de nosso ser só caminha efetivamente na sua direção evolutiva quando pautando-se nos ensinamentos evangélicos, únicos padrões condizentes com a realidade espiritual nos dois planos da nossa existência. É preciso, então, despertar em nós a necessidade de conhecer o nosso íntimo, objetivando nosso transformação dentro do sentido cristão original, ensinado e exemplificado pelo Divino Mestre Jesus.
Conhecer exclusivamente as causas e as origens de nossos traumas e recalques, de nossas distonias emocionais nos quadros da presente existência é limitar os motivos dos nossos conflitos, olvidando a realidade das nossas existência anteriores, os delitos transgressores do ontem, que nos vinculam aos processos reequilibradores e aos reencontros conciliatórios do hoje.
As motivações que nos induzem a desenvolver nossa remodelação de comportamento projetam-se igualmente para o futuro da nossa eternidade espiritual, onde os valores ponderáveis são exatamente aqueles obtidos nas conquistas nobilitantes do coração.
Percebendo o passado longínquo de erros, trabalhamos livremente no presente, preparando um futuro existencial mais suave e edificante. Esse é o amplo contexto da nossa realidade espiritual, à qual almejamos nos integrar atuantes e produtivos.
O emérito professor Allan Kardec, em sua obra O Céu e o Inferno 1 parte, cap VII, mostra, nos itens 16. Do Código Penal da Vida Futura, que no caminho para a regeneração não basta ao homem o arrependimento. São necessárias a expiação e a reparação, afirmando que “A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal”, e também “praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se tem sido orgulhosos, amável se foi rude, caridoso se foi egoísta, benigno se perverso, laborioso se ocioso, útil se foi inútil, frugal se intemperante, exemplar se não o foi”.
Como podemos nos reabilitar, entro dessa visão panorâmica da nossa realidade espiritual, infinitamente ampla, é o que pretendemos, à luz do Espiritismo, abordar neste trabalho de aplicação prática.
Reabilitar-se exige modificar-se, transformar o comportamento, a maneira de ser, de agir; é reformar-se moralmente, começando pelo conhecimento de si mesmo.
Múltiplas são as formas pelas quais vamos conhecendo a nós mesmos, nossas reações, nosso temperamento, o que imprime as nossas ações ao meio em que vivemos aquilo que é a maneira como respondemos emocionalmente, como reagimos aos inúmeros impulsos externos nos relacionamento social.
Podemos concluir que a nossa existência é todo um processo contínuo de reformulação de nossos próprios sentimentos de nossa compreensão dos porquês, com eles surgem e nos levam a agir.
Quando não procuramos deliberadamente nos conhecer, alargando os campos da nossa consciência, dirigindo-a rumo ao nosso eu, buscando identificar o porquê e a causa de tantas reações desconhecidas, somos igualmente levados a nos conhecer, exatamente nos entrechoques com aqueles do nosso convívio, no seio familiar, no meio social, nos clubes recreativos, nos meios religiosos, enfim, em tudo o que compreende os contatos de pessoa a pessoa.
Nos capítulos seguintes (deste livro) veremos “o conhecer-se no convívio com o próximo”, “o conhecer-se pela dor”, “o conhecer-se pela auto-análise” e alguns meios práticos para realizarmos individualmente e em grupos a transformação que se inicia com a prática do conhecimento de nós mesmos.
Extraído do Livro Manual Prático do Espírita – Ney Pietro Peres
AS BASES DO TRANSFORMAR-SE - O CONHECIMENTO DE SI MESMO
“Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrebatamento do mal? Um sábio da antiguidade vos disse: ‘CONHECE-TE A TI MESMO’”.(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Pergunta 919.)
De modo geral, vivemos todos em função dos impulsos inconscientes que se agitam no nosso mundo interior. Manifestamos, sem controle e sem conhecimento próprio, nossos desejos mais recônditos, ignorando suas raízes e origens.
O campo íntimo, onde os desejos são despertados nas mais variadas formas, encontra-se ainda muito vedado diante de um olhar mais profundo.
Refletimos inconscientemente um sem números de emoções, pensamentos, atrações, repulsas, simpatias, antipatias, aspirações e repressões. Somos um complexo indefinido de sentimentos e ideias que, na maioria das vezes, brotam dentro de nós sem sabermos como e por quê.
Somos todos vítimas dos nossos próprios desejos mal conduzidos. Se sentimos dentro de nós uma atração forte e alimentamos um desejo de posse, não nos perguntamos se temos o direito de adquirir ou de concretizar aquela aspiração. Sentimos como se fôssemos donos do que queremos, desrespeitando os direitos do próximo. Querendo e isso basta, custe o que custar contrariando ou não a liberdade dos outros. O nosso desejo é mais forte e nada pode obstá-lo, esta é a maneira habitual de reagirmos internamente.
Agindo desse modo, interferimos na vontade dos que nos cercam e contrariamos, na maioria das vezes, os desejos daqueles que não se subordinam aos nossos caprichos. Provocamos reações, violências de parte a parte, agressões, discussões, desajustes, conflitos, ansiedade, tormentos, mal-estares, infelicidades.
Vemos constantemente os erros e defeitos dos que nos rodeiam e somos incapazes de perceber nossos próprios erros, tão ou mais acentuados que os dos estranhos. As nossas faltas são sempre justificadas por nós mesmos, com razões claras ao nosso limitado entendimento. Colocamo-nos sempre como vítimas. Os outros nos causam contrariedade e desrespeitos, somos isentos de culpa a apenas defendemos nossos direitos e nossa integridade próprio.
Esse comportamento é típico nos seres humanos e confirma o desconhecimento de nós mesmos, dadas reações e manifestações que habitam a intimidade do nosso eu, sede da alma.
A grande maioria das criaturas humanas ainda se compraz na manifestação das suas paixões e não encontra motivos para dela abdicar em benefício de alguém; são os imediatistas, de necessidades mais elementares, com predominância dadas funções animais, como reprodução, conservação, defesa. Dentro dessa maioria, compreendemos claramente como hábitos mais evidentes e comuns a sensualidade, a gula, a agressividade, que, no ser racional, muitas vezes ultrapassam os limites das reações primitivas animais nos requintes de expressão, decorrentes daqueles três hábitos: ciúmes, vingança, ódio, luxuria, violência. Podemos dizer que há, nesses tipos de indivíduos, a predominância da natureza animal, orgânica ou corpórea.
Uma pequena minoria da humanidade compreende a sua natureza espiritual, e como tal reflete um comportamento mais racional e menos impulsivo, isto é, suas necessidades já denotam aspirações do sentimento, algum esforço em conquistar virtudes e, assim, libertar-se dos defeitos derivados do egoísmo.
Estamos todos, possivelmente, numa categoria intermediária, numa fase de transição de espíritos imperfeitos para espíritos bons e, portanto, ora nos comprazemos dos impulsos característicos do primeiro, ora buscamos alimentar o nosso espírito nas realizações do coração, na caridade, na solidariedade, no esforço de auto-aprimoramento. Vamos, assim, de modo lento, nas múltiplas existências, realizando o nosso progresso individual, elevando-nos na escala que vai o ser animal ao ser espiritual. Alicerçando interiormente os valores morais.
Na resposta à pergunta 919-a feita por Kardec aos Espíritos ( O Livro dos Espíritos. Livro terceiro, cap XII. Da Perfeição Moral.), Santo Agostinho afirma: “O Conhecimento de Si Mesmo é, portanto, a chave do progresso individual”.
Todo esforço individual no sentido de melhorar nesta vida e resistir ao arrebatamento do mal só pode ser realizado conscientemente, por disposição própria, distinguindo-se claramente os impulsos íntimos e optando-se por disposições que nos levam à mudanças de comportamento. Desse modo, “conhecer-se a si mesmo” é a condição à predominância da natureza comporia.
E por quais razões o conhecimento próprio é o meio prático mais eficaz? Na Grécia, 400 anos antes de Cristo, Sócrates já assim ensinava. Essa sabedoria milenar ainda hoje é sobretudo evidente, e constitui o meio para evoluirmos. Não é compreensível que aos nos conhecermos estaremos a um passo de melhorar? Não se torna mais fácil, sabendo os perigos a que estamos sujeitos afastamo-nos deles e evita-los?
Extraído do Livro Manual Prático do Espírita – Ney Pietro Peres
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