Mostrando postagens com marcador autoamor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador autoamor. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de junho de 2019

Auto Amor

“Ser quem você é, interessa apenas a quem descobriu a beleza e o prazer de estar em sua companhia...

Se o Outro viesse com manual de instrução ou trailer, tudo seria tão monótono e sem sentido que você acabaria sem aprender com as diferenças e com as surpresas.

Esperando o previsível você veria o mundo apenas de sua estreita janela, onde se aprende, simplesmente, a ser intolerante, preconceituoso e presunçoso!

Change the world, change yourself!”
- Liszt Rangel -

domingo, 19 de maio de 2019

O AUTOAMOR


Talvez tenha sido o Espírito Joanna de Ângelis a primeira a utilizar essa expressão para os encarnados.

Sempre ouvimos falar em “amor ao próximo com a nós mesmos”, todavia não nos tinham explicado como amarmos a nós mesmos. Aliás, muitos combatiam a ideia do amor a si mesmos confundindo-a com o defeito moral do egoísmo.

O autoamor significa esforço de auto aperfeiçoamento intelecto-moral e é pré-requisito para o amor ao próximo, porque, sem nos aperfeiçoarmos, sequer teremos ideia realmente melhor do que é necessário fazer em benefício dos outros.
Michel de Montaigne, quando encarnado, escreveu seu livro “Ensaios”, propondo o autoconhecimento, por entender que teria de conhecer primeiro a si próprio para poder ser mais útil aos irmãos e irmãs em humanidade.
Auto amar-se é aprofundar a sonda do conhecimento sobre todas as ciências que digam respeito ao ser humano em geral e a nós próprios em particular.

Em uma única encarnação não conseguiremos chegar ao máximo do autoconhecimento, mas compete-nos iniciar essa viagem maravilhosa.

Lembremos, por exemplo, o Espírito Laura, referido por André Luiz, que, no mundo espiritual, estava lendo sua autobiografia referente a duas encarnações anteriores, com vistas à programação da encarnação que encetaria brevemente: trata-se do autoconhecimento. Por aí se vê que autoconhecer-se é uma tarefa muito mais ampla do que imaginamos.

No livro “Memórias de um Suicida”, do Espírito Camilo Castelo Branco, psicografado por Yvonne de Amaral Pereira. Também se vê o trabalho de autoconhecimento, quando alguns Espíritos mais intelectualizados são levados a recordar encarnações muito antigas, algumas até a época em que Jesus esteve encarnado no Planeta.

Para nós, no geral, basta revermos nossa realidade atual, desta encarnação, que já teremos realizado um grande progresso no autoconhecimento, pois, como diz o ditado, “pelo sentido contrário, que também se conhece o anão espiritual que ainda somos”...

Luiz Guilherme Marques
Livro Autoamor – A Procura da Perfeição Relativa

AUTOAMOR



Jesus Cristo apresentou à humanidade o caminho da perfeição relativa do Triângulo Simbólico cujas faces são: o Amor a Deus, o Amor ao próximo e o Amor a nós mesmos.

Voltemos, todavia, no relógio do tempo, lembrando que o autoamor, durante a Antiguidade, foi valorizado na Grécia, sobretudo no período socrático, graças às suas memoráveis lições (resumíveis no “conhece-te a ti mesmo”), transmitidas através de diálogos de profunda sabedoria, mas, sobretudo, dos seus exemplos de todas as virtudes.

Como se sabe, Platão e Aristóteles ficaram encarregados de registrar as lições do mestre, preparando as mentes para os dias gloriosos da pregação de Jesus.

O Divino Mestre oi quem mais destacou o autoamor, quando afirmou: “Sede perfeitos, como vosso Pai, que está nos Céus, é Perfeito” e quando disse: “O Reino de Deus está dentro de nós.”.

Posteriormente, com o desfazimento do Império Romano, o fanatismo e o obscurantismo impingiram a ideia de ser humano essencialmente pecador, impregnando-nos de baixa autoestima, com graves prejuízos para a ideia do autoamor.

O que se poderia esperar de filhos degenerados por tendência e de um Deus cruel e rude além do Inferno após a morte depois de uma vida triste, onde a obediência cega predominava?

Com o Renascimento europeu, valorizando-se o laicismo, desenervam-se a Ciência, a Filosofia e as Artes em geral, para tanto encarnados em massa missionários do Conhecimento para mostrarem à humanidade seu potencial intelectual.

Depois, veio o iluminismo, destacando a razão como medida de todas as coisas, preparando a vida do Consolador. De todas as áreas do Conhecimento faltava, todavia, libertar-se a Religião dos extremos que se criaram, da fé cega dos religiosos tradicionais e da descrença dos livres pensadores em geral.

Com o advento da Doutrina Espírita, em meados do século XIX, apresentando-se incialmente como Filosofia e Ciência e, mais adiante, igualmente como religião, principalmente no Brasil, os seres humanos encarnados passaram a enxergar-se como realmente são, ou seja, filhos muito amados do Pai Celestial, libertando-se a Religião das meias-verdades e mostrando a autêntica Verdade anunciada por Jesus. Quanto à Filosofia, a Ciência e as Artes, iluminaram-se com as revelações dos Espíritos Superiores, a partir da Codificação Kardequiana.

O tema autoamor somente ganhou o realce que merece através do Espirito Joanna de Ângelis, principalmente com sua Série Psicológica, a qual, todavia, para ser materializada no mundo terreno, necessitava do desenvolvimento da Psicologia, Psiquiatria e outras ciências, como a Física Quântica e a Química.

O autoamor implica em escolher, de tudo o que se apresenta em termos de opções, o que realmente é melhor para nossa evolução intelecto-moral, adequando-se ao que afirmou Paulo de Tarso: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”, bem como ao conselho de Jesus Cristo: “Sede perfeitos, como vosso Pai, que está nos Céus, é Perfeito.”.

Luiz Guilherme Marques – Livro Autoamor – A Procura da Perfeição Relativa

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Angústia da Pefeição - Ermance Dufaux - Livro Reforma Íntima sem Martírio


“Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os degraus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem passar por outros graus intermediários?”
“Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição. Há qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis. Poderá ser tão perfeito quanto o comporte a sua natureza terrena, mas isso não é a perfeição absoluta. (...)”.
O LIVRO DO ESPÍRITO – Questão 192



Alma querida nos ideais renovadores é natural que sofras inquietação por nutrires objetivos transformadores.

Ante a penúria de teus valores, declara-te sem mérito para receber a ajuda divina perante a extensão de tuas falhas açoitas a consciência com lancinante sentimento de hipocrisia ao repetires os mesmos desvios dos quais já gostarias de não se permitir. Essa é a estrada da perfeição, não te martirizes.
Tudo isso é compreensível, parte integrante de quantos se candidatam aos serviços reeducativos de si próprios, portanto, não sejas demasiadamente severo contigo.

Sem lástimas e sem censura, perdoa-te e prossegue sempre.

Confia e trabalha cada vez mais.

Por mais causticantes as reações íntimas nos refolhos consciências, guarda-te na oração e na confiança e enriquece a tua fé nas pequenas vitórias.

A angústia da melhora é impulso para promoção. O remédio salutar para amenizá-la, é a aceitação de ti mesmo.

Aceitando-te humildemente como és e fazendo o melhor que possas, vitalizar-te-ás com mais fortes apelos interiores para continuidade do projeto de melhoria e corrigenda. Por outro lado, se te punes estarão assinando um decreto de desamor contra ti.

Afeiçoa-te com devotamente e sensatez ao exercício que te são delegados pelas tarefas renovadoras do bem, aprimorando-te em regime da vigilância e paciência.

Sem alimentar fantasias de saltos evolutivos, dá um passa atrás do outro.

Sem ansiar pela grandeza das estrelas, ama-te na condição de singelo pirilampo que esforça por fazer luz na noite escura.

Faça as pazes com tuas imperfeições. Descubra tuas qualidades, acredite nelas e coloque-as à serviço de suas metas de crescimento, essa é a formula da verdadeira transformação.

O tempo concederá valor e experiência a teus esforços, ajustando teus propósitos aos limites de tuas possibilidades, libertando-te da angústia que provém dos excessos.

Caminha um dia após o outro na certeza de que Deus te espera sempre com irrestrito respeito pelas tuas mazelas, guardando o único direito de um pai zeloso e bom que é a esperança de que amanhã seja melhor que hoje, para tua própria felicidade.

Ermance Dufaux
Livro Reforma Intima sem Martírio - -psicografia Wanderley S de Oliveira.
 
 VEJA MAIS:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Auto-aceitação


Na psicologia contemporânea, a análise da evolução de trauma emocional deve seguir o seguinte sentido. O Trauma é seguido de um estado Confusional, depois, de uma Não Aceitação, depois exige um período de Racionalização, para só então o indivíduo voltar ao equilíbrio do qual se afastou pela dor sofrida.

Se observarmos bem essa dinâmica do sofrimento, veremos que o maior obstáculo para que o indivíduo volte à harmonia, após um processo doloroso, é a não aceitação, que pode ser manifestada como revolta, amargura, mágoa, indignação etc. 

O caso que apresentaremos hoje mostra uma orientação dada por Emmanuel, através de Chico, para uma senhora que acabara de perder dois filhos em um acidente. 

Ouçamos o caso.

As palavras de Chico Xavier estão sempre revestidas de luz, descortinando novos caminhos para os nossos passos. Ele é uma fonte inesgotável de bênçãos, dessedentando os corações cansados de sofrer no vale das provações humanas. Por isto, quando ele fala, todas as vozes se emudecem e todos os ouvidos se aguçam, a fim de guardar-lhe os ensinamentos nos escrínios da própria alma. 

Recordo-me de que, há muito tempo, uma mãe aflita, ao debruçar-se-lhe sobre os ombros, indagou em lágrimas:

"Chico, o que vou fazer agora da minha vida?! Perdi os meus filhos, Chico, num desastre... Morreram os dois... A minha dor é terrível... Estou desesperada..."

O episódio nos comovia a todos, no "Grupo Espírita da Prece", em Uberaba.

Fitando-a com os olhos igualmente repletos de lágrimas, o incansável servo do Cristo lhe respondeu:

"Filha, o nosso Emmanuel sempre me diz que a aceitação de nossos problemas, sejam eles quais forem, representa cinquenta por cento da solução dos mesmos; os outros cinquenta por cento vêm com o tempo... Tenhamos paciência e fé, pois não estamos desamparados pela Bondade Divina."

Bastou que ouvisse essas palavras do Chico, para que aquela senhora se acalmasse em uma cadeira próxima, começando a refletir sobre os Desígnios de Deus.

De nossa parte, ficamos também, em silêncio, a meditar na grandeza da lição daquela hora, a respeito da aceitação do sofrimento, perguntando a nós mesmos quantas dores maiores poderíamos evitar, se nos resignássemos ante as dores aparentemente sem remédio que nos visitam no cotidiano...


Auto-aceitação


 

O nosso aprimoramento, de espíritos eternos, no longo processo da evolução espiritual, precisa contar com a nossa auto-aceitação, através do possível conhecimento que tenhamos de nós mesmos. Não é fácil.

A religião procura nos ajudar, as ciências do comportamento trazem, hoje, suas importantes contribuições. Para podermos nos ajudar, precisamos, cada vez mais, conhecer e, sobretudo, aceitar-nos.

Essa compreensão é tão necessária que Allan Kardec indagou aos Mentores Espirituais:

- Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e resistir à atração do mal?

- Um sábio da antiguidade vo-lo disse: "Conhece-te a ti mesmo". (Questão nº 919 de O Livro dos Espíritos.)

Sob o ponto de vista religioso, Kardec debruça-se sobre o Evangelho de Mateus e nos lembra: "Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam. Porque, se somente amardes os que vos amam, que recompensa tereis disso? Não fazem assim também os publicanos? - Se unicamente saudardes os vossos irmãos, que fazeis com isso mais do que outros? Não fazem o mesmo os pagãos? - Sede, pois, vós outros perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial". (Mateus, cap. V.vv.44, 46 a 48.) 

A seguir ele analisa o comportamento do homem de bem e comenta: "Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.

Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera." (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 3, parágrafos 12 e 13.) 

Em nosso aprimoramento existe a necessidade da auto-aceitação, pela qual possamos reconhecer as nossas possibilidades e limitações e, sobretudo, não sermos dependentes absolutos da aceitação ou desaprovação dos outros.

Precisamos ter a vontade de ver, de entender, de saber e sermos conscientes, cada vez mais, de nós mesmos.

Quando percebemos o que pensamos, sentimos e somos, teremos condições de mudanças no aprimoramento da nossa personalidade ou espírito. 

Se nos olharmos em um espelho, poderemos observar certas partes do nosso corpo de que nós não gostamos, sob o ponto de vista estético, e teremos o impulso de não olhar mais para aquela parte, por exemplo: sejam os olhos, a boca ou o nariz. 

No entanto, temos que aceitar aquelas partes, quando não haja recurso financeiro ou condições técnicas para a cirurgia plástica. 

Há pessoas que sentem e dizem: - "Ah, eu não gosto de ver tal parte do meu corpo".

 Consideremos que gostar é diferente de aceitar. A pessoa pode não gostar, mas ela precisa aceitar aquela parte do seu corpo para psicologicamente estar bem.

Precisamos aceitar o que somos para podermos melhorar e chegarmos àquilo que queremos ser. 

Desta maneira, aproveitemos alguns minutos para "visualizar" um sentimento ou uma emoção que não conseguimos enfrentar com facilidade: dor, medo, insegurança, tristeza, humilhação, inveja, raiva. Depois de focalizar este estado mental ou emocional, procuremos senti-lo sem oferecer resistência, aceitando-o como ele é.

Exemplifiquemos com uma situação em que deveremos falar a um público e temos medo de falar a um grupo de pessoas. 

Deveremos aceitar o medo. Saber que esse medo é natural para a maioria das pessoas. 

Procuremos controlar a situação. Após a aceitação do medo e das reações que ele provoca:

 aumento do batimento cardíaco, respiração mais rápida, pode haver até aumento de transpiração, desenvolver procedimentos que nos ajudem a enfrentar a situação e não fugirmos dela. Inspirar e expirar profundamente, aceitar a alteração orgânica como natural, pensarmos que é um estado mental e emocional passageiro, enfrentarmos a situação desconfortante e falarmos o que tem que ser dito. 

Com o passar do tempo assumiremos o controle orgânico e as idéias fluirão com mais facilidade. Finalmente sentiremos grande alívio e bem-estar por termos exercitado a auto-aceitação, enfrentado o medo e nesse estado intelectual e emocional de auto-aceitação termos vencido o problema.

Essa técnica de auto-aceitação preconizada por muitos psicólogos vem nos ajudar no processo psicológico e espiritual do auto-aprimoramento, se pudermos aplicá-la sempre que tivermos desafios pela frente. 

Ao lado do "conhece-te a ti mesmo ", usemos, também, o "aceita-te a ti mesmo". 
AYLTON PAIVA 

extraído http://www.oconsolador.com.br/3/ayltonpaiva.html
 

domingo, 1 de janeiro de 2017

Amor, perdão, cura e autocura


Dr. Andrei, o que é a saúde, a doença, cura e a autocura na abordagem médico-espírita?
A saúde é entendida como o reflexo do equilíbrio do ser em relação às leis divinas. Na visão espírita, o homem é um ser imortal, alguém que preexiste à vida física, que sobrevive ao fenômeno biológico da morte e, ao longo do processo evolutivo, através da reencarnação, vai crescendo, desenvolvendo-se em direção a Deus. A saúde do corpo físico é um reflexo do nível de equilíbrio desse espírito no processo evolutivo perante o amor, o belo e o bem. Já a doença é uma sinalização interior de reequilíbrio, convidando o ser a reconectar-se com o amor e com a fonte. É uma mensagem gerada no mais profundo da realidade espiritual do ser e que se reflete no corpo físico como um convite à reconexão com o amor, ao desenvolvimento do autoamor e do amor ao próximo. Nessa visão, a saúde e o adoecimento são construções do próprio homem e ninguém é vítima de nada, senão de si mesmo, das suas próprias decisões, das suas próprias escolhas, daquilo que decide e determina em sua vida. Portanto, toda cura é também um fenômeno de autocura, porque, para que ela se instale em definitivo, é necessário que haja não simplesmente um alívio dos sintomas e uma resolução do processo biológico no corpo físico, mas também uma reformulação moral do pensamento, do sentimento e da ação, fazendo com que o ser esteja transformado em profundidade, em consonância com a lei divina, ou seja, mais em sintonia com a lei do amor.

O amor é, então, o caminho para a cura?
O amor é o grande medicamento, é a grande finalidade da existência. Na verdade, nós caminhamos em direção a Deus como o “filho pródigo” da parábola de Jesus, reconectando nossa relação com o Pai e retornando para a casa de Deus, que, na verdade, é dentro do nosso próprio coração, onde Deus está. Pouco a pouco, vamos fazendo isso, descobrindo as nossas virtudes, a grandeza íntima que há dentro de nós, tudo aquilo que Deus nos deu como possibilidade evolutiva e que pode nos realizar plenamente. Nesse contexto, o amor representa um movimento medicamentoso por excelência, enquanto movimento de respeito, de consideração, de valorização, de inclusão, de consideração. Ele nos trata as doenças da alma, que são orgulho, egoísmo, vaidade, prepotência, arrogância, e nos coloca em sintonia com a fonte, que é Deus, nos auxiliando a reconectar-nos com o Pai. Desenvolver o amor é o caminho mais rápido, fácil e eficaz para a cura da alma e do corpo.
Nos seminários, você apresentou também o perdão como o caminho para a saúde integral. Fale um pouquinho sobre isso.
Sim, o perdão é condição essencial para a saúde. Sem o perdão, não há paz interior, não há saúde nem física, nem emocional. Shakespeare dizia que não perdoar ou guardar mágoa é como beber veneno, desejando que o outro morra. O veneno age naquele que o guarda, que o cultiva dentro de si. E a mágoa atua dentro de nós na semelhança de uma planta que, uma vez guardada, cultivada, vai crescendo, criando raízes, dá flores, frutos e multiplica-se. E nós acabamos enredados em uma série de dores emocionais, sem que nem saibamos, às vezes, onde tudo começou. Tudo porque vamos guardando as coisas dentro de nós, sem trabalhar, sem dialogar, sem metabolizar emocionalmente aquilo que estamos sentindo, vivenciando. Quando vemos, a situação está numa questão muito profunda e muito grave.

Para que tenhamos paz, é necessário que abracemos o perdão como um projeto. O perdão é uma decisão pela paz, que se traduz em atitudes pelo estabelecimento dessa paz, no entendimento das questões emocionais, das nossas características pessoais, das circunstâncias que envolvem o ato agressor e da responsabilidade e co-responsabilidade nossa no processo. Ele se traduz como um processo, porque não se dá da noite para o dia. Ele se constrói ao longo do tempo e através de atitudes sucessivas de busca dessa metabolização emocional que, muitas vezes, precisa de um acompanhamento terapêutico profissional, através de um psicólogo que faça essa abordagem íntima e ajude-nos a encontrar nossas respostas, sentidos e significados mais profundos.

O perdão passa também pelo acolhimento e aceitação da nossa humanidade e da humanidade do outro, sobretudo, na superação dos traumas, porque só aceitando a condição fundamental do ser humano, de estar num processo contínuo de erro e acerto, é que a gente dá conta de conviver com os equívocos do outro que nos fere e até mesmo com os nossos mesmos. Naturalmente, nós só fazemos para o outro aquilo que fazemos para nós. Então, nós só conseguimos aceitar a humanidade do outro quando aceitamos a nossa própria humanidade, quando acolhemos em nós a nossa capacidade de errar e recomeçar, abraçando o auto-amor como uma proposta de vida. O autoamor é filho da humildade, uma das representações magníficas da amorosidade divina, aquela decisão interna de nos acolher, de nos tratar com ternura, compaixão e com a benevolência que nós necessitamos, embora com a firmeza necessária para domar as nossas paixões e renovarmo-nos de nossos defeitos que julguemos necessários. Então, o perdão é uma atitude de conquista desse estado de paz interior, através do entendimento das circunstâncias que nos envolvem e da decisão pelo amor.

Em Abaeté, é muito grande o número de pessoas viciadas em anti-depressivos, ansiolíticos, bebidas e drogas pesadas, como o crack. O que você poderia falar para essas pessoas?
Toda dependência é uma busca de aplacar o vazio interior através de coisas externas. Mas esse vazio interior, que nós todos temos, só é aplacado pela presença do autoamor. O vazio é um vazio do amor, mas esse amor que nos falta não é o amor que vem do outro, é o amor que vem de dentro, é o amor que a gente pode se dar. Então, para o tratamento e a profilaxia de qualquer processo de dependência, é importante ensinar as pessoas a se valorizarem, se respeitarem, se gostarem. A estabelecerem relações familiares honestas em que as pessoas dialoguem, conversem, estejam atentas umas às outras e partilhem suas emoções, mostrando-se, não de forma idealizada, mas de forma honesta, real, ensinando cada um a ver, em todos nós, luz e sombra, beleza e feúra, coisas positivas e negativas. Nós precisamos aprender a acolher esses dois lados, aprendendo a transformar aquilo que não amamos em nós e a valorizar e desenvolver aquilo que há de bom, de positivo.

A depressão passa pela não aceitação da vida. Há uma mensagem subliminar no depressivo que é: “como não tenho a vida que desejo, não aceito a vida que tenho”. Há também uma mensagem da arrogância, da prepotência de acreditar que, ferindo a si mesmo, fere a própria sociedade, fere o mundo. Muitas vezes, por trás da depressão, há culpas e processos autopunitivos profundos, em virtude da ausência da humildade, em se permitir aceitar a vida como pode ser e de recomeçar quantas vezes forem necessárias para se alcançar a felicidade.
No tratamento da depressão, é importante abordar a questão do desenvolvimento da aceitação da vida, da submissão ativa a Deus. Isso significa “aceitar a vida tal como ela está, mas fazendo tudo para se buscar aquilo que se deseja”, sem abandonar o prazer de viver, sem entrar naquela tristeza patológica, aquela tristeza excessiva que se configura como estado depressivo.
Os antidepressivos são muito úteis quando bem indicados durante um certo período, mas não podem virar uma muleta, eles não são a pílula da felicidade, não podem ser a fonte que nos dão a realização íntima, que aplacam a nossa dor. Nós temos, hoje, na nossa sociedade, uma medicalização excessiva, um uso abusivo de medicamentos, porque não aprendemos a lidar com naturalidade com as nossas emoções. O medo, a tristeza, a raiva, a alegria são emoções básicas, e nós temos que aprender a lidar com elas. Quando não lidamos de forma natural é que elas adoecem, se transformando em mágoa, em pânico, em euforia ou em depressão.

Na nossa sociedade, observamos que há um excesso de medicalização das emoções naturais. Tão logo a pessoa fica triste, já entra com um antidepressivo, um ansiolítico para que ela evite lidar com sua ansiedade ou sua tristeza. Mas a ansiedade e a tristeza são situações naturais da vida, que até um determinado nível são muito positivas e que nos falam muito a respeito de nós mesmos. É importante que o autoconhecimento guie o processo, pra que entendamos o que está acontecendo na nossa alma e na nossa vida. Marta Medeiros fala, de uma forma muito bela, que a tristeza é o quartinho do fundo onde a gente analisa a nossa vida. E é isso que nós temos que aprender: a estudar nossas emoções, nossas características, para retirar delas ensinamentos preciosos a respeito de nós mesmos e do outro e, com isso, nos tornarmos pessoas melhores.
O suicídio pode ser visto como uma doença da alma?
O suicídio é um ato de desespero em que o sujeito tenta matar a dor que há nele e, muitas vezes, ele envolve a família e os outros numa situação de dor ainda maior do que aquela que era a dor original. Por isso, também é uma manifestação de egoísmo. Nós devemos evitar o suicídio em nossa sociedade, estabelecendo acolhimento à dor emocional das pessoas, através de serviços competentes em que as pessoas possam ser escutadas, ouvidas, acolhidas e onde possam ser bem orientadas através de um acompanhamento terapêutico com profissionais competentes, que possam nos ajudar a metabolizar as dores e as dificuldades que vivemos. Precisamos, sobretudo, de um ensino religioso e moral que nos dê base e subsídio para entender quem somos, o que viemos fazer e para onde vamos e uma base moral que nos forneça elementos de estímulo ao desenvolvimento das virtudes que são potências da alma e verdadeiros profiláticos contra o suicídio.

Na visão espírita, o suicídio é um ato muito infeliz, porque o indivíduo reconhece-se vivo do outro lado da vida, matando somente o corpo físico. E aquela dor original, além de não estar resolvida, está aumentada pela circunstância do ato agressor à própria vida. Esse é um direito que nenhum de nós tem. Somente a Deus compete dar e retirar a vida. Então, diante daquele que cometeu o suicídio, nós devemos agir com compaixão e misericórdia, enviando-lhe as nossas preces. As orações sinceras daqueles que amam ou mesmo daqueles que têm boa vontade e desejam auxiliar chegam até o coração daqueles que estão em sofrimento do outro lado da vida como verdadeiros bálsamos, alívios e medicamentos que amenizam seu sofrimento e os auxiliam a prosseguir. Como a vida é eterna, cada um terá a oportunidade de se renovar, de recomeçar, embora tendo que lidar com os resultados infelizes que, às vezes, são sofrimentos desnecessários desses atos de desespero.

Na edição de dezembro, o Nosso Jornal abordou um problema preocupante, que é o número crescente de acidentes de trânsito com vítimas fatais, muitas vezes em veículos dirigidos por menores. O que poderíamos dizer, sobretudo aos pais que têm dificuldade em impor limites, em dizer não, e acabam emprestando o carro ou presenteando o filho menor com motocicletas?
Isso não pode acontecer de forma alguma. Os pais não podem abrir mão do seu direito e da sua responsabilidade como educadores. Nossa sociedade exige que, para uma pessoa dirigir, ela esteja habilitada, e isso somente após a maioridade. Os pais têm que aprender a respeitar isso. Se não respeitam essa condição fundamental básica, assumem as consequências pelos erros daqueles que lhes são responsabilidade direta. Nós sabemos que, hoje, é muito difícil para as famílias aprender a colocar limites, porque vivemos processos educacionais que dão muita liberalidade aos jovens, sem o processo educacional que os ensine a usar a liberdade com responsabilidade. Então, os pais, enquanto educadores morais, não podem abrir mão desse papel. Devem ser aqueles que utilizam de vários instrumentos, procuram ajuda profissional se necessário, mas de forma alguma abrem mão do seu papel, desistindo dos adolescentes a eles vinculados. Precisam ser, sim, aqueles que buscam todos os recursos e meios para fornecer ao indivíduo o elemento educacional, que vem, sobretudo, pelo exemplo, porque os adolescentes aprendem muito mais vendo o que os pais fazem, do que escutando o que os pais dizem. O exemplo da família é extremamente importante no processo educacional, e a sociedade deve ter leis e cumprimentos das leis, deve estabelecer processos educativos para menores que sejam pegos sem habilitação, assim como para aqueles que sejam pegos alcoolizados, dirigindo, colocando em risco a sua vida e a vida de outros. E os pais devem agir com responsabilidade também, estabelecendo processos internos na dinâmica familiar que sejam processos delimitadores quando os menores ou quando os indivíduos, mesmo maiores, atinjam esse nível de irresponsabilidade, colocando em risco a sociedade. É dever dos pais fazer essa delimitação.

Inclusive, com internet, não é? Os jogos de internet que são viciantes também…
Jogos viciantes, agressivos, que desenvolvem a agressividade no indivíduo e que, muitas vezes, alienam o indivíduo da vida de relação. Nós temos visto adolescentes viciados em jogos de internet que não priorizam a relação com o outro, o estar fora de casa, o conviver. Com isso, acabam se tornando adultos fechados, reprimidos e com dificuldades de estabelecer laços afetivos profundos. Então, todas as instrumentações da vida são positivas, mas têm que ser limitadas. Os pais têm que limitar o uso da internet, entrar em acordo com seus filhos. Não agir simplesmente de forma autoritária, mas estabelecer acordos para processos educativos que levem o jovem a se envovler com esporte, com a sociabilização, com a educação moral, através da educação religiosa, das atividades sociais, a responsabilização com o bem a seus semelhante. O jovem pode ser direcionado para atividades voluntárias, caritativas, que são extremamente educadoras e fazem o jovem conhecer outras realidades, vislumbrar outras perspectivas e, muitas vezes, ressignificar a própria vida e o próprio contexto. É dever dos pais estabelecer os limites e as regras da convivência sem abrir mão desse direito e dessa obrigação moral que eles têm.

Esse ciclo de palestras em Abaeté foi também o lançamento do seu livro “Cura e Autocura”. Fale um pouquinho sobre esse trabalho.
Andrei Moreira
“Cura e Autocura, uma visão médico-espírita”, é uma publicação da Ame editora, o órgão editorial da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais, e aborda a saúde e o adoecimento dentro da visão espírita. São 16 capítulos, abordando diversos aspectos como, por exemplo, o perdão como caminho de cura, a caridade como instrumento de cura, a ação do pensamento na saúde e na doença, as curas de Jesus, a saúde e o adoecimento na visão espírita, terapêutica, médico-espírita, bem como o terapeuta como curador e outros assuntos, com apresentação de casos, de trabalhos práticos também nesse sentido, sobretudo o amor e o auto-amor como caminhos de encontro do ser consigo mesmo e de cura do corpo e da alma.

Fonte: Nosso Jornal – Folha Comunitária de Abaeté, 02/12/10

A Cura Começa quando Paramos de Fugir do que Sentimos

Curar não se parece com um triunfo imediato, nem como uma luz acesa o tempo todo. Curar, muitas vezes, manifesta-se como cansaço, como silên...