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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Crescer é parar de culpar os pais por tudo


Diante de uma ofensa, de uma ironia, de uma negligência afetiva, temos a possibilidade de nos identificarmos com a posição de vítima e temos também a possibilidade de criarmos algo de interessante com aquela perda, com aquela rejeição ou sofrimento.


Procuramos uma análise quando descobrimos que desejamos mais qualidade de vida. E quando uso a expressão qualidade de vida, não me refiro aos clichês divulgados pelo discurso dominante. Eu me refiro à possibilidade de ter uma vida mais significativa, mais feliz, dentro da singularidade de cada um.

Quando iniciamos um processo analítico, a tendência é jogarmos a culpa de nossas tristezas em cima de diversas pessoas, principalmente dos pais e dos parceiros amorosos. 

Não quero dizer que os pais não cometam muitos erros nem que parceiros amorosos não provocam muito sofrimento em nossa vida. Porém, independente de tudo o que nos acontece e de tudo que nos aconteceu, é importante perceber o nosso papel protagonista em nossa vida. 

Diante de uma ofensa, de uma ironia, de uma negligência afetiva, temos a possibilidade de nos identificarmos com a posição de vítima e temos também a possibilidade de criarmos algo de interessante com aquela perda, com aquela rejeição ou sofrimento. 

Se a falta de afeto do nosso primeiro amor, do parceiro atual ou até mesmo dos pais deixa rombos homéricos em nossa existência, há a possibilidade de reelaborarmos este vazio no sentido de construir no futuro relações mais felizes.

A nossa tendência é repetir padrões, é buscar um modelo de relacionamento que nos é familiar, mesmo que seja muito infeliz. Inconscientemente, escolhemos reviver o que nos foi mais doloroso. Pessoas que foram pouco amadas na infância ou que não foram amadas da forma que elas desejaram, tendem a entrar em relações fadadas ao fracasso. 

Durante a análise, começamos a perceber esta repetição, esta escolha inconsciente pelo erro, pelo sofrimento, por aquilo que não dará certo apesar de nossos esforços conscientes. Começamos a perceber também que nossos pais são humanos, portanto, falhos, limitados, traumatizados pelos erros dos seus pais também. 

Não digo que seja simples e indolor aceitar os pais como pessoas que erram nem quebrar círculos viciosos. Mas é possível. Não é porque alguém foi pouco amado como filho que não poderá amar muito como pai ou como mãe. Não é porque alguém viveu uma série de relações amorosas medíocres que não poderá construir um relacionamento cheio de afeto e cumplicidade.

Quebrar padrões é tarefa extremamente árdua. Exige um esforço homérico, um desejo real de fazer mudar. Mas com certeza, vale muito a pena. 

Silvia Marque

Fonte http://obviousmag.org/cinema_pensante/2019/01/crescer-e-parar-de-culpar-os-pais-por-tudo.html

domingo, 16 de setembro de 2018

ESTÁS DOENTE?

"E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantara."- Tiago 5:15

Todas as criaturas humanas adoecem todavia, são raros aqueles que cogitam de cura real.

Se te encontras enfermo, não acredites que a ação medicamentosa, através da boca ou dos poros, te possa restaurar integralmente.

O comprimido ajuda, a injeção melhora, entretanto, nunca te esqueças de que os verdadeiros males procedem do coração.

A mente é fonte criadora.

A vida, pouco a pouco, plasma em torno de teus passos aquilo que desejas.

De que vale a medicação exterior, se prossegues triste, acabrunhado ou insubmisso?

De outras vezes, pedes o socorro de médicos humanos ou de benfeitores espirituais, mas ao surgirem as primeiras melhoras, abandonas o remédio ou o conselho salutar e voltas aos mesmos abusos que te conduziram à enfermidade.

Como regenerar a saúde, se perdes longas horas na posição colérica ou do desânimo? A indignação rara, quando justa e construtiva no interesse geral, é sempre um bem, quando sabemos orientá-la em serviço de elevação; contudo, a indignação diária, a propósito de tudo, de todos e do nós mesmo, é um hábito pernicioso, de consequências imprevisíveis.

O desalento, por sua vez, é clima anestesiante, que entorpece e destrói.

E que falar da maledicência ou da inutilidade, com as quais despendes tempo valioso e longo em conversão infrutífera, extinguindo as tuas forças?

Que gênio milagroso te doará o equilíbrio orgânico, se não sabes calar, nem desculpar, se não ajudas, nem compreendes, se não te humilhas para os designo superiores, nem procuras harmonia com os homens?

Se estás doente, meu amigo, acima de qualquer medicação, aprende a orar e a entender a auxiliar e a preparar o coração para a Grande Mudança.

Desapega=te de bens transitórios que te foram emprestados pelo poder Divino, de acordo com a Lei do Uso, e lembra-te de que serás, agora ou depois, reconduzido à Vida Maior, onde encontramos sempre a própria consciência.

Foge à brutalidade.

Enriquece os teus fatores de simpatia pessoal, pela prática do amor fraterno.

Busca a intimidade com sabedoria, pelo estudo e pela meditação.

Não manches teu caminho.

Serve sempre.

Trabalha na extensão do bem.

Guarda lealdade ao ideal superior que te ilumina o coração e permanece convicto de que se cultivas a oração da fé viva, em todos os teus passos, aqui ou além, o Senhor te levantará.

Emmanuel - Francisco Cândido Xavier


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

REGRAS PARA CONSERVAÇÃO E PUREZA DO CORPO FÍSICO




No que respeita à mantença do equilíbrio e à conservação do corpo, ressalvadas as destinações de ordem cármica que escapam ao nosso controle individual momentâneo, transferimos para aqui algumas regras e considerações que constam do Cap-2, item 2, do livro Trabalhos Práticas de Espiritismo, primeira ed em 1954.

CONDUTA CONSIGO MESMO

Referimo-nos aos esforços íntimos em relação aos hábitos, costumes, necessidades e outros aspectos da vida moral do indivíduo, destinados a mudar os seus sentimentos negativos, vencer vícios e defeitos, dominar paixões inferiores e conquistar virtudes espirituais, isto é, a reforma íntima.
Para isso toma-se necessário:
Higiene do corpo físico – Uso diário de banhos de água, totais ou parciais; de ar, de luz e de sol, cada um agindo, é claro, de acordo com seus próprios recursos e possibilidades, inclusive de temo; vestimentas apropriadas, de acordo com o tempo, o clima e as estações do ano.
Alimentação – Racional e sóbria, contendo os princípios alimentares básicos que são: proteínas (alimentos que mantêm os músculos); carboidratos e gorduras (alimentos que fornecem energia e calor), sais minerais e vitaminas.
Todos estes elementos são encontrados nos alimentos comuns, sendo, todavia, necessário saber combiná-los e utilizá-los sem faltas ou excessos.
Para isso convém consultar e utilizá-los se faltas ou excessos.
Para isso convém consultar instruções apropriadas, quase sempre encontradas em livros e publicações que tratam do assunto.
Lentamente, e tanto quanto possível (segundo os recursos, profissão e temperamento de cada um) diminuir a carne como alimento base, vista ser desaconselhável do ponto de vista espiritual. Os princípios alimentares que ela contém, sobretudo proteínas, são encontrados com facilidade em outros alimentos de uso comum, como, por exemplo: queijo, feijão, soja, leite, etc.
Por outro lado, para alimentar nosso corpo não há necessidade de sacrificar vidas de animais úteis e pacíficos onde Espíritos, ainda embrionários, realizam sua evolução, quando podemos fazê-lo com inúmeros outros alimentos mais simples.
Neste assunto, que é de controvérsia, cada um deve seguir seus próprios impulsos e inspirações que corresponderão, justamente, ao grau de compreensão ou de evolução que, lhes forem próprios.
Repouso- Dormir o tempo que for exigido pelo próprio organismo, segundo a idade, a profissão e o temperamento de cada um.
Nunca sacrificar esta necessidade fundamental em benefício de certas distrações ou atividades dispensáveis, porque são sempre lamentáveis as consequências que a falta de sono acarreta para o sistema nervos, principalmente daqueles para os quais esta necessidade se torna mais acentuada.
O normal do período de repouso para os adultos é de 8 horas, tempo esse que vai diminuindo à medida que aumenta a idade; na velhice essa necessidade fica reduzida para pouco mais de 3 a 5 horas, substituída a diferença por uma apatia natural, certa sonolência.
A insônia nos adultos e nos adolescentes, mas sobretudo, nas crianças, sempre denota moléstia orgânica ou perturbação de natureza psíquica que requerem cuidados especiais, porém nunca o uso de tranquilizantes ou hipnóticos que podem provocar dependência, além de produzir profundas depressões.
Distrações- Também fazem parte dos recursos necessários à mantença do equilíbrio orgânico, como reflexos vindos do campo da vida psíquica.
São derivativos para as pressões exercidas, nas lutas da vida, pelas inquietações, temores, cansaço, tristeza, desânimo, etc., que tão perniciosas influências exercem sobre o Espírito, com a agravante, ainda, de abrirem portas às influenciações do plano invisível.
Todavia, não são todas as distrações que servem ao espírita interessado no seu problema de renovação moral. Há distrações benéficas como às há extremamente perniciosas; estas são as que despertam ou alimentam os instintos inferiores do personalismo, da brutalidade, da violência, da crueldade, como o boxe, as lutas de arena, as touradas, etc., as que levam a desgarres da sensualidade, como certos espetáculos, danças e folguedos; tudo isso deve ser eliminado do programa do espírita esclarecido e sensato.
As diversões aconselhadas e úteis são as de aspecto construtivo e elevado, como passeios ao campo, parques e jardins, excursões, visitas a museus e obras de arte, reuniões culturais, concertos musicais, conferências sobre assuntos instrutivos, enfim, tudo quanto dignifique, esclareça e levante o indivíduo para esferas de vida e de sentimentos mais elevados.
Muito importam, também, à mantença do equilíbrio orgânico e à harmonia interna do santuário do Espírito, o combate aos vícios, defeitos morais e paixões, próprias do homem encarnado nestes graus inferiores da escala evolutiva, dos quais o nosso orbe faz parte.
Do mesmo citado livro, transcrevemos mais os seguintes períodos referentes a estes pontos de relevantes interesses.
 
Os vícios- Para a defesa e purificação do organismo, é necessário combater rigorosamente os vícios, começando pelos mais comuns que são o fumo, o álcool, a gula e os tóxicos (maconha, éter, ópio, morfina, etc,)
Atualmente, estes vícios se alastram de forma alarmante, envolvendo milhões de pessoas, em sua maioria jovens inexperientes que a vida social moderna, com seus costumes licenciosos e cínicos, empurra para caminhos de perdição.
Jovens de ambos os sexos, nas reuniões de sociedades, fazem alarde ou exibição dos vícios que possuem, como se tal coisa os engrandecesse.
 
Na sua inconsciência, chafurdam na lama e se vangloriam disso.
O fumo, por exemplo, considerado o mais fabuloso o seu consumo no mundo inteiro e seu usa produz terríveis males, mormente no aparelho nervoso-vegetativo (simpático e vago), dando margem a perturbações tanto mais intensas e profundas quanto mais sensíveis forem às pessoas. Ultimamente, severas advertências vêm sendo feitas por cientistas de todos os países sobre a influência do fumo na produção do câncer. Segundo estatísticas oficias, em cada quatro pessoas que fumam, uma possui indícios de câncer.
As consequências do fumo afetam também fortemente o períspirito, produzindo uma espécie de entorpecimento psíquico, que continua até mesmo após o desencarne, prolongando o período de inconsciência que, na maioria dos casos, ocorre depois da chamada morte física, como também afeta a cortina de proteção e isolamento existente entre o corpo físico e o períspirito.
E coisas ainda piores sucedem em relação ao vício do álcool, responsável pela degradação moral de milhões de pessoas, em todas as partes do mundo, obrigando governos esclarecidos (como, por exemplo, o da França, ultimamente) a decretar legislação coercitiva a fabricação e uso imoderado do álcool em seu território.
Julgamos completamente desnecessário qualquer comentário a respeito destes vícios e de suas diferentes sintomatologias, que oscilam entre a euforia e o coma, visto ser assunto por demais conhecido.
Não importa o que digam uns e outros, inclusive pessoas de ciência, defendendo estes vícios, alegando não serem tão perniciosos como parecem: os que defendem são também viciados em maior ou menor grau e, portanto, suspeitos no caso.
Os espíritas, se realmente desejam evoluir e, já que a evolução não se conquista sem pureza de corpo e de espírito, devem combater e eliminar de si mesmo estes vícios, liberando-se deles definitivamente. Não pode haver pureza de corpo ou de sentimentos em pessoas que se entregam a vícios repugnantes e perniciosos, praticando, assim, um suicídio lento, na mais lamentável negligência moral.
Por outro lado, é preciso não esquecer que o viciado é assediado e dominado por Espíritos inferiores desencarnados, mesmo quando não maléficos, mas, da mesma forma, viciados e que, não possuindo mais o corpo físico, atuam sobre eles e, por seu intermédio, se satisfazem, inalando a fumaça dos cigarros ou aspirando, deliciados, os vapores do álcool.
Há milhões de pessoas, no mundo inteiro, que vivem assim escravizadas pelos Espíritos inferiores e utilizados por estes como instrumentos passivos, submissos e cegos de seus próprios vícios e paixões.
André Luiz, em sua obra Nos Domínios da Mediunidade, descreve uma cena de botequim, mostrando como alguns Espíritos desencarnados, junto de fumantes e bebedores, com tristes feições, se demoram expectantes.
Alguns sorviam as baforadas de fumo arremessadas ao ar, ainda aquecidas pelo calor dos pulmões que as expulsavam, nisso encontrando alegria e alimento.
Outros aspiravam ao hálito de alcoólatras, impenitentes. Defeitos morais e paixões – A batalha moral contra os defeitos e as paixões devem ser igualmente encetadas pelos espíritas sem vacilações e temores, sendo certo que desde os primeiros passos, serão fortemente apoiados pelos benfeitores espirituais, que sempre estão atentos, aguardando que tão salutares e imperiosas resoluções surjam e tomem consistência no Espírito dos seus protegidos, entes amados que eles, os benfeitores, assumiram o compromisso de assistir e proteger durante a encarnação.
Antes de encetar a luta contra os defeitos e as paixões tão comuns ao homem inferior (como sejam, o orgulho, o egoísmo, a sensualidade, a hipocrisia, a avareza, a crueldade, e outros) é necessário que cada um faça um programa individual de ação, examine a influência que cada defeito ou paixão exerce sobre si mesmo e em seguida inicie a repressão com confiança e disposição de lutar sem desfalecimento, até o fim; assim procedendo, logo aos primeiros passos, verá que o apoio recebido do Alto é muito importante e que a vitória está desde o princípio, em suas próprias mãos.


Edgard Armond – Passes e Radiações – Cap. 3


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Angústia da Pefeição - Ermance Dufaux - Livro Reforma Íntima sem Martírio


“Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os degraus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem passar por outros graus intermediários?”
“Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição. Há qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis. Poderá ser tão perfeito quanto o comporte a sua natureza terrena, mas isso não é a perfeição absoluta. (...)”.
O LIVRO DO ESPÍRITO – Questão 192



Alma querida nos ideais renovadores é natural que sofras inquietação por nutrires objetivos transformadores.

Ante a penúria de teus valores, declara-te sem mérito para receber a ajuda divina perante a extensão de tuas falhas açoitas a consciência com lancinante sentimento de hipocrisia ao repetires os mesmos desvios dos quais já gostarias de não se permitir. Essa é a estrada da perfeição, não te martirizes.
Tudo isso é compreensível, parte integrante de quantos se candidatam aos serviços reeducativos de si próprios, portanto, não sejas demasiadamente severo contigo.

Sem lástimas e sem censura, perdoa-te e prossegue sempre.

Confia e trabalha cada vez mais.

Por mais causticantes as reações íntimas nos refolhos consciências, guarda-te na oração e na confiança e enriquece a tua fé nas pequenas vitórias.

A angústia da melhora é impulso para promoção. O remédio salutar para amenizá-la, é a aceitação de ti mesmo.

Aceitando-te humildemente como és e fazendo o melhor que possas, vitalizar-te-ás com mais fortes apelos interiores para continuidade do projeto de melhoria e corrigenda. Por outro lado, se te punes estarão assinando um decreto de desamor contra ti.

Afeiçoa-te com devotamente e sensatez ao exercício que te são delegados pelas tarefas renovadoras do bem, aprimorando-te em regime da vigilância e paciência.

Sem alimentar fantasias de saltos evolutivos, dá um passa atrás do outro.

Sem ansiar pela grandeza das estrelas, ama-te na condição de singelo pirilampo que esforça por fazer luz na noite escura.

Faça as pazes com tuas imperfeições. Descubra tuas qualidades, acredite nelas e coloque-as à serviço de suas metas de crescimento, essa é a formula da verdadeira transformação.

O tempo concederá valor e experiência a teus esforços, ajustando teus propósitos aos limites de tuas possibilidades, libertando-te da angústia que provém dos excessos.

Caminha um dia após o outro na certeza de que Deus te espera sempre com irrestrito respeito pelas tuas mazelas, guardando o único direito de um pai zeloso e bom que é a esperança de que amanhã seja melhor que hoje, para tua própria felicidade.

Ermance Dufaux
Livro Reforma Intima sem Martírio - -psicografia Wanderley S de Oliveira.
 
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terça-feira, 6 de março de 2018

AS BASES DO TRANSFORMAR-SE - COMO CONHECER-SE




“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelo esforço que empreende no domínio das más inclinações.” ( Allan Kardec. E Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap XVII. Sede Perfeitos. Os Bons Espiritistas.)

A disposição de conhecer-se a si mesmo pode surgir naturalmente como fruto do amadurecimento de cada um, de forma espontânea, nata, resultante da própria condição espiritual do indivíduo, ou poderá ser provocada pela ação do sofrimento renovador que, sensibilizando a criatura, desperta-a para valores novos do espírito. Uns chegam pela compreensão natural, outros, pela dor, que também é um meio de despertar a nossa compreensão.

Um grande número de indivíduos são levados, devido a desequilíbrios emocionais, a gabinetes psiquiátricos ou psicoterápicos para tratamentos específicos. Através desses tratamentos vêm a conhecer as origens de seus distúrbios, aprendendo a identifica-los e a controla-los, normalizando, até certo ponto,  a sua conduta. Porém, isso ocorre dentro de uma motivação de comportamento compatível com os padrões de algumas escolas psicológicas, quase todas materialistas.

Na Doutrina Espírita, como Cristianismo Redevivo, igualmente buscamos o conhecimento de nós mesmos, embora dentro de um sentido muito mais amplo, segundo o qual entendemos que a fração eterna e indissolúvel de nosso ser só caminha efetivamente na sua direção evolutiva quando pautando-se nos ensinamentos evangélicos, únicos padrões condizentes com a realidade espiritual nos dois planos da nossa existência. É preciso, então, despertar em nós a necessidade de conhecer o nosso íntimo, objetivando nosso transformação dentro do sentido cristão original, ensinado e exemplificado pelo Divino Mestre Jesus.

Conhecer exclusivamente as causas e as origens de nossos traumas e recalques, de nossas distonias emocionais nos quadros da presente existência é limitar os motivos dos nossos conflitos, olvidando a realidade das nossas existência anteriores, os delitos transgressores do ontem, que nos vinculam aos processos reequilibradores e aos reencontros conciliatórios do hoje.

As motivações que nos induzem a desenvolver nossa remodelação de comportamento projetam-se igualmente para o futuro da nossa eternidade espiritual, onde os valores ponderáveis são exatamente aqueles obtidos nas conquistas nobilitantes do coração.

Percebendo o passado longínquo de erros, trabalhamos livremente no presente, preparando um futuro existencial mais suave e edificante. Esse é o amplo contexto da nossa realidade espiritual, à qual almejamos nos integrar atuantes e produtivos.

O emérito professor Allan Kardec, em sua obra O Céu e o Inferno 1 parte, cap VII, mostra, nos itens 16. Do Código Penal da Vida Futura, que no caminho para a regeneração não basta ao homem o arrependimento. São necessárias a expiação e a reparação, afirmando que “A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o  mal”, e também “praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se tem sido orgulhosos, amável se foi rude, caridoso se foi egoísta, benigno se perverso, laborioso se ocioso, útil se foi inútil, frugal se intemperante, exemplar se não o foi”.

Como podemos nos reabilitar, entro dessa visão panorâmica da nossa realidade espiritual, infinitamente ampla, é o que pretendemos, à luz do Espiritismo, abordar neste trabalho de aplicação prática.

Reabilitar-se exige modificar-se, transformar o comportamento, a maneira de ser, de agir; é reformar-se moralmente, começando pelo conhecimento de si mesmo.

Múltiplas são as formas pelas quais vamos conhecendo a nós mesmos, nossas reações, nosso temperamento, o que imprime as nossas ações ao meio em que vivemos aquilo que é a maneira como respondemos emocionalmente, como reagimos aos inúmeros impulsos externos nos relacionamento social.

Podemos concluir que a nossa existência é todo um processo contínuo de reformulação de nossos próprios sentimentos de nossa compreensão dos porquês, com eles surgem e nos levam a agir.
Quando não procuramos deliberadamente nos conhecer, alargando os campos da nossa consciência, dirigindo-a rumo ao nosso eu, buscando identificar o porquê e a causa de tantas reações desconhecidas, somos igualmente levados a nos conhecer, exatamente nos entrechoques com aqueles do  nosso convívio, no seio familiar, no meio social, nos clubes recreativos, nos meios religiosos, enfim, em tudo o que compreende os contatos de pessoa a pessoa.

Nos capítulos seguintes (deste livro) veremos “o conhecer-se no convívio com o próximo”, “o conhecer-se pela dor”, “o conhecer-se pela auto-análise” e alguns meios práticos para realizarmos individualmente e em grupos a transformação que se inicia com a prática do conhecimento de nós mesmos.

Extraído do Livro Manual Prático do Espírita – Ney Pietro Peres

A Cura Começa quando Paramos de Fugir do que Sentimos

Curar não se parece com um triunfo imediato, nem como uma luz acesa o tempo todo. Curar, muitas vezes, manifesta-se como cansaço, como silên...