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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Angústia da Pefeição - Ermance Dufaux - Livro Reforma Íntima sem Martírio


“Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os degraus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem passar por outros graus intermediários?”
“Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição. Há qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis. Poderá ser tão perfeito quanto o comporte a sua natureza terrena, mas isso não é a perfeição absoluta. (...)”.
O LIVRO DO ESPÍRITO – Questão 192



Alma querida nos ideais renovadores é natural que sofras inquietação por nutrires objetivos transformadores.

Ante a penúria de teus valores, declara-te sem mérito para receber a ajuda divina perante a extensão de tuas falhas açoitas a consciência com lancinante sentimento de hipocrisia ao repetires os mesmos desvios dos quais já gostarias de não se permitir. Essa é a estrada da perfeição, não te martirizes.
Tudo isso é compreensível, parte integrante de quantos se candidatam aos serviços reeducativos de si próprios, portanto, não sejas demasiadamente severo contigo.

Sem lástimas e sem censura, perdoa-te e prossegue sempre.

Confia e trabalha cada vez mais.

Por mais causticantes as reações íntimas nos refolhos consciências, guarda-te na oração e na confiança e enriquece a tua fé nas pequenas vitórias.

A angústia da melhora é impulso para promoção. O remédio salutar para amenizá-la, é a aceitação de ti mesmo.

Aceitando-te humildemente como és e fazendo o melhor que possas, vitalizar-te-ás com mais fortes apelos interiores para continuidade do projeto de melhoria e corrigenda. Por outro lado, se te punes estarão assinando um decreto de desamor contra ti.

Afeiçoa-te com devotamente e sensatez ao exercício que te são delegados pelas tarefas renovadoras do bem, aprimorando-te em regime da vigilância e paciência.

Sem alimentar fantasias de saltos evolutivos, dá um passa atrás do outro.

Sem ansiar pela grandeza das estrelas, ama-te na condição de singelo pirilampo que esforça por fazer luz na noite escura.

Faça as pazes com tuas imperfeições. Descubra tuas qualidades, acredite nelas e coloque-as à serviço de suas metas de crescimento, essa é a formula da verdadeira transformação.

O tempo concederá valor e experiência a teus esforços, ajustando teus propósitos aos limites de tuas possibilidades, libertando-te da angústia que provém dos excessos.

Caminha um dia após o outro na certeza de que Deus te espera sempre com irrestrito respeito pelas tuas mazelas, guardando o único direito de um pai zeloso e bom que é a esperança de que amanhã seja melhor que hoje, para tua própria felicidade.

Ermance Dufaux
Livro Reforma Intima sem Martírio - -psicografia Wanderley S de Oliveira.
 
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terça-feira, 6 de março de 2018

AS BASES DO TRANSFORMAR-SE - COMO CONHECER-SE




“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelo esforço que empreende no domínio das más inclinações.” ( Allan Kardec. E Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap XVII. Sede Perfeitos. Os Bons Espiritistas.)

A disposição de conhecer-se a si mesmo pode surgir naturalmente como fruto do amadurecimento de cada um, de forma espontânea, nata, resultante da própria condição espiritual do indivíduo, ou poderá ser provocada pela ação do sofrimento renovador que, sensibilizando a criatura, desperta-a para valores novos do espírito. Uns chegam pela compreensão natural, outros, pela dor, que também é um meio de despertar a nossa compreensão.

Um grande número de indivíduos são levados, devido a desequilíbrios emocionais, a gabinetes psiquiátricos ou psicoterápicos para tratamentos específicos. Através desses tratamentos vêm a conhecer as origens de seus distúrbios, aprendendo a identifica-los e a controla-los, normalizando, até certo ponto,  a sua conduta. Porém, isso ocorre dentro de uma motivação de comportamento compatível com os padrões de algumas escolas psicológicas, quase todas materialistas.

Na Doutrina Espírita, como Cristianismo Redevivo, igualmente buscamos o conhecimento de nós mesmos, embora dentro de um sentido muito mais amplo, segundo o qual entendemos que a fração eterna e indissolúvel de nosso ser só caminha efetivamente na sua direção evolutiva quando pautando-se nos ensinamentos evangélicos, únicos padrões condizentes com a realidade espiritual nos dois planos da nossa existência. É preciso, então, despertar em nós a necessidade de conhecer o nosso íntimo, objetivando nosso transformação dentro do sentido cristão original, ensinado e exemplificado pelo Divino Mestre Jesus.

Conhecer exclusivamente as causas e as origens de nossos traumas e recalques, de nossas distonias emocionais nos quadros da presente existência é limitar os motivos dos nossos conflitos, olvidando a realidade das nossas existência anteriores, os delitos transgressores do ontem, que nos vinculam aos processos reequilibradores e aos reencontros conciliatórios do hoje.

As motivações que nos induzem a desenvolver nossa remodelação de comportamento projetam-se igualmente para o futuro da nossa eternidade espiritual, onde os valores ponderáveis são exatamente aqueles obtidos nas conquistas nobilitantes do coração.

Percebendo o passado longínquo de erros, trabalhamos livremente no presente, preparando um futuro existencial mais suave e edificante. Esse é o amplo contexto da nossa realidade espiritual, à qual almejamos nos integrar atuantes e produtivos.

O emérito professor Allan Kardec, em sua obra O Céu e o Inferno 1 parte, cap VII, mostra, nos itens 16. Do Código Penal da Vida Futura, que no caminho para a regeneração não basta ao homem o arrependimento. São necessárias a expiação e a reparação, afirmando que “A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o  mal”, e também “praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se tem sido orgulhosos, amável se foi rude, caridoso se foi egoísta, benigno se perverso, laborioso se ocioso, útil se foi inútil, frugal se intemperante, exemplar se não o foi”.

Como podemos nos reabilitar, entro dessa visão panorâmica da nossa realidade espiritual, infinitamente ampla, é o que pretendemos, à luz do Espiritismo, abordar neste trabalho de aplicação prática.

Reabilitar-se exige modificar-se, transformar o comportamento, a maneira de ser, de agir; é reformar-se moralmente, começando pelo conhecimento de si mesmo.

Múltiplas são as formas pelas quais vamos conhecendo a nós mesmos, nossas reações, nosso temperamento, o que imprime as nossas ações ao meio em que vivemos aquilo que é a maneira como respondemos emocionalmente, como reagimos aos inúmeros impulsos externos nos relacionamento social.

Podemos concluir que a nossa existência é todo um processo contínuo de reformulação de nossos próprios sentimentos de nossa compreensão dos porquês, com eles surgem e nos levam a agir.
Quando não procuramos deliberadamente nos conhecer, alargando os campos da nossa consciência, dirigindo-a rumo ao nosso eu, buscando identificar o porquê e a causa de tantas reações desconhecidas, somos igualmente levados a nos conhecer, exatamente nos entrechoques com aqueles do  nosso convívio, no seio familiar, no meio social, nos clubes recreativos, nos meios religiosos, enfim, em tudo o que compreende os contatos de pessoa a pessoa.

Nos capítulos seguintes (deste livro) veremos “o conhecer-se no convívio com o próximo”, “o conhecer-se pela dor”, “o conhecer-se pela auto-análise” e alguns meios práticos para realizarmos individualmente e em grupos a transformação que se inicia com a prática do conhecimento de nós mesmos.

Extraído do Livro Manual Prático do Espírita – Ney Pietro Peres

AS BASES DO TRANSFORMAR-SE - O CONHECIMENTO DE SI MESMO




“Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrebatamento do mal? Um sábio da antiguidade vos disse: ‘CONHECE-TE A TI MESMO’”.
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Pergunta 919.)


De modo geral, vivemos todos em função dos impulsos inconscientes que se agitam no nosso mundo interior. Manifestamos, sem controle e sem conhecimento próprio, nossos desejos mais recônditos, ignorando suas raízes e origens.

O campo íntimo, onde os desejos são despertados nas mais variadas formas, encontra-se ainda muito vedado diante de um olhar mais profundo.

Refletimos inconscientemente um sem números de emoções, pensamentos, atrações, repulsas, simpatias, antipatias, aspirações e repressões. Somos um complexo indefinido de sentimentos e ideias que, na maioria das vezes, brotam dentro de nós sem sabermos como e por quê.

Somos todos vítimas dos nossos próprios desejos mal conduzidos. Se sentimos dentro de nós uma atração forte e alimentamos um desejo de posse, não nos perguntamos se temos o direito de adquirir ou de concretizar aquela aspiração. Sentimos como se fôssemos donos do que queremos, desrespeitando os direitos do próximo. Querendo e isso basta, custe o que custar contrariando ou não a liberdade dos outros. O nosso desejo é mais forte e nada pode obstá-lo, esta é a maneira habitual de reagirmos internamente. 

Agindo desse modo, interferimos na vontade dos que nos cercam e contrariamos, na maioria das vezes, os desejos daqueles que não se subordinam aos nossos caprichos. Provocamos reações, violências de parte a parte, agressões, discussões, desajustes, conflitos, ansiedade, tormentos, mal-estares, infelicidades.

Vemos constantemente os erros e defeitos dos que nos rodeiam e somos incapazes de perceber nossos próprios erros, tão ou mais acentuados que os dos estranhos. As nossas faltas são sempre justificadas por nós mesmos, com razões claras ao nosso limitado entendimento. Colocamo-nos sempre como vítimas. Os outros nos causam contrariedade e desrespeitos, somos isentos de culpa a apenas defendemos nossos direitos e nossa integridade próprio.

Esse comportamento é típico nos seres humanos e confirma o desconhecimento de nós mesmos, dadas reações e manifestações que habitam a intimidade do nosso eu, sede da alma.

A grande maioria das criaturas humanas ainda se compraz na manifestação das suas paixões e não encontra motivos para dela abdicar em benefício de alguém; são os imediatistas, de necessidades mais elementares, com predominância dadas funções animais, como reprodução, conservação, defesa. Dentro dessa maioria, compreendemos claramente como hábitos mais evidentes e comuns a sensualidade, a gula, a agressividade, que, no ser racional, muitas vezes ultrapassam os limites das reações primitivas animais nos requintes de expressão, decorrentes daqueles três hábitos: ciúmes, vingança, ódio, luxuria, violência. Podemos dizer que há, nesses tipos de indivíduos, a predominância da natureza animal, orgânica ou corpórea.

Uma pequena minoria da humanidade compreende a sua natureza espiritual, e como tal reflete um comportamento mais racional e menos impulsivo, isto é, suas necessidades já denotam aspirações do sentimento, algum esforço em conquistar virtudes e, assim, libertar-se dos defeitos derivados do egoísmo.

Estamos todos, possivelmente, numa categoria intermediária, numa fase de transição de espíritos imperfeitos para espíritos bons e, portanto, ora nos comprazemos dos impulsos característicos do primeiro, ora buscamos alimentar o nosso espírito nas realizações do coração, na caridade, na solidariedade, no esforço de auto-aprimoramento. Vamos, assim, de modo lento, nas múltiplas existências, realizando o nosso progresso individual, elevando-nos na escala que vai o ser animal ao ser espiritual. Alicerçando interiormente os valores morais.


Na resposta à pergunta 919-a feita por Kardec aos Espíritos ( O Livro dos Espíritos. Livro terceiro, cap XII. Da Perfeição Moral.), Santo Agostinho afirma: “O Conhecimento de Si Mesmo é, portanto, a chave do progresso individual”.


Todo esforço individual no sentido de melhorar nesta vida e resistir ao arrebatamento do mal só pode ser realizado  conscientemente, por disposição própria, distinguindo-se claramente os impulsos íntimos e optando-se por disposições que nos levam à mudanças de comportamento. Desse modo, “conhecer-se a si mesmo” é a condição à predominância da natureza comporia.

E por quais razões o conhecimento próprio é o meio prático mais eficaz? Na Grécia, 400 anos antes de Cristo, Sócrates já assim ensinava. Essa sabedoria milenar ainda hoje é sobretudo evidente, e constitui o meio para evoluirmos. Não é compreensível que aos nos conhecermos estaremos a um passo de melhorar? Não se torna mais fácil, sabendo os perigos a que estamos sujeitos afastamo-nos deles e evita-los?

Extraído do Livro Manual Prático do Espírita – Ney Pietro Peres


AS BASES DO TRANSFORMAR-SE - ALLAN KARDEC ESTABELECE AS BASES



“A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: ‘Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem’, ou seja, fazer o bem e não fazer o mal. O homem encontra nesse princípio a regra universal de conduta, mesmo para as menores ações.”
( Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Introdução VI. Resumo da Doutrina dos Espíritos.)

Naquela introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, resumindo as bases fundamentais, o codificador, no final do item VI, expõe que os Espíritos “nos ensinam que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, desde este mundo, se liberta da matéria, pelo desprezo para com as futilidades mundanas e o cultivo do amor ao próximo, se aproxima da natureza espiritual. E que cada um de nós deve tornar-se útil, segundo as faculdades e os meios que Deus nos colocou nas mãos para nos provar; que o Forte e o Poderoso devem apoio e proteção ao Fraco, porque aquele que abusa da sua força e do seu poder, para oprimir o seu semelhante, viola a lei de Deus”. Eles ensinam, enfim, “que no mundo dos Espíritos, nada podendo estar escondido, o hipócrita será desmascarado e todas as suas torpezas reveladas; que a presença inevitável e em todos os instantes daqueles que prejudicamos é um dos castigos a nós reservados; que aos estados de inferioridade e de superioridade dos Espíritos correspondem penas e alegrias que nos são desconhecidas na terra”.

Mas eles nos ensinam também “que não há faltas irremissíveis que não possam ser apagadas pela expiação. O homem encontra o meio necessário, nas diferentes existências, que lhe permite avançar, segundo os seus desejos e os seus esforços, na via do progresso, em direção à perfeição que é o seu objetivo final”. O que depreendemos dessa importante síntese constitui precisamente o roteiro deste opúsculo. De início procuramos evidenciar, trazendo aos níveis do consciente, as manifestações características da nossa natureza animal: os vícios e os defeitos que denotam a predominância corpórea. Depois o conhecimento das virtudes que nos libertam, pelo seu cultivo, das futilidades mundanas, e nos predispõem a exercer o amor ao próximo, desenvolvendo, assim, a nossa natureza espiritual.

 Os meios práticos para exercitarmos as nossas faculdades, nos esforços que nos permitam progredir em direção à perfeição, é o que indicamos. A necessidade imperiosa de nos tornarmos úteis em todos os sentidos, levando a nossa contribuição ao próximo, cultivando o verdadeiro espírito da caridade desinteressada, está igualmente inserida.

São exatamente “os meios necessários” que desejamos colocar à disposição dos amigos interessados em realizar os seus desenvolvimentos moral, entendendo que o mundo em que vivemos, longe da perfeição, está muito mais envolvido nos erros. Erros que são importantes, pois nos levam a distinguir a verdade, nas lições da experiência humana, e que nos permitem fazer as nossas escolhas, propiciando-nos o adiantamento progressivo na senda do espírito. Errar menos, ou ainda, evitar a repetição de erros anteriores, é uma preocupação que pode conduzir-nos a recuperar muito tempo já perdido. Esse também é um enfoque prioritário a objetivar, pois encontramo-nos todos na condição de ajustar nossos débitos, somando méritos, no avanço que carecemos. Na realidade, não é grande o esforço que precisamos desenvolver. Até com pouco trabalho poderemos vencer as nossas más tendências, mas o que nos falta é à vontade. Porém, essa vontade também podemos cultivar. E um do métodos para isso é o da auto-sugestão, como veremos adiante.

As bases da Transformação íntima estão com Kardec, que eleva e dá cumprimento à moral de Jesus no “fazer aos outros o que queríamos que os outros nos fizessem”. Regra universal de conduta, até mesmo para as menores ações, que nos deve pautar em nosso relacionamento.

Os questionários de avaliação individual nos levam a refletir, trazendo à consciência os defeitos mais evidentes a serem corrigidos. A maioria destes defeitos é comum, e quase sempre acham-se ocultos sob a forma de torpezas inconscientemente sepultadas.

 A auto-avaliação progressiva nos faze ver, periodicamente, o amadurecimento conquistado pelo próprio esforço em melhorar, proporcionando-nos o estímulo em continuar na remodelação de nós mesmos.

Vencida as primeiras dificuldades, a misericórdia do nosso Divino Criador já nos faz colher os primeiros frutos do nosso trabalho, nas manifestações das alegrias reconfortadoras do espírito.
Que vem a se interessar pelo Espiritismo como curiosidade, e fica na constatação do intercâmbio e das manifestações dos espíritos, flutua na superfície; e quem se sente atraído pelas suas interpelações e busca no estudo informações sobre sua contribuição aos conhecimentos da origem, natureza e destinação dos nossos espíritos, penetra nas camadas de suas bases; no entanto, aqueles, pelos que já sofreram e na ansiedade de preencher o espírito ávido de perfeição, sentindo em profundidade os seus ensinamentos, oferecem terreno sólido para a edificação progressiva da Doutrina dos Espíritos dentro de si mesmos, porque neles as transformações íntimas serão realizadas e neles o Espiritismo cumpre o seu verdadeiro papel de redentor da humanidade.

Portanto, se ainda não nos sentimos tocados em profundidade, e se nas nossas inquietações não estamos trazendo o conhecimento espiritual para o terreno das mudanças no nosso comportamento, não estaremos aplicando a Doutrina em benefício da nossa própria evolução, e não poderemos, a rigor, ser reconhecidos como espíritas. Poderemos ser profundos conhecedores da sua filosofia ou meticulosos pesquisadores da sua ciência, o que nos conferirá apenas a condição de teóricos.
Vivência, aplicação, exemplificação, transformação, eis as característica do espírita autêntico; eis as bases estabelecidas por Allan Kardec.

Extraído Manual Prático Do Espírita - Ney Prieto Peres



AS BASES DO TRANSFORMAR-SE - A REFORMA INTIMA - EM 6 PERGUNTAS

É um processo contínuo de auto conhecimento da nossa intimidade espiritual, modelando-nos progressivamente na vivência evangélica, em todos os sentidos da nossa existência. É a transformação do homem velho, carregado de tendências e erros seculares, no homem novo, atuante na implantação dos ensinamentos o Divino Mestre, dentro e fora de si.

PORQUE A REFORMA ÍNTIMA?
Porque é o meio de nos libertarmos das imperfeições e de fazermos objetivamente o trabalho de burilamento dentro de nós, conduzindo-nos compativelmente com as aspirações que nos levam ao aprimoramento do nosso espírito.

PARA QUE A REFORMA ÍNTIMA?
Para transformar o homem e a partir dele, toda a humanidade, ainda tão distante das vivências evangélicas. Urge enfileirarmos-nos ao lado dos batalhadores das últimas horas, pelos nossos testemunhos, respondendo aos apelos do Plano Espiritual e integrando-nos na preparação cíclica do Terceiro Milênio.

ONDE FAZER A REFORMA ÍNTIMA?
Primeiramente dentro de nós mesmos, cujas transformações se refletirão depois em todos os campos de nossa existência, no nosso relacionamento com familiares, colegas e trabalho, amigos e inimigos e, ainda, nos meios em que colaboramos desinteressadamente com serviços ao próximo.

QUANDO FAZER A REFORMA ÍNTIMA?
O momento é agora e já; não há mais o que esperar. O tempo passa e todos os minutos são preciosos para as conquistas que precisamos fazer no nosso íntimo.

COMO FAZER A REFORMA ÍNTIMA?
Ao decidirmos iniciar o trabalho de melhorar a nós mesmos, um dos meios mais efetivos é uma Escola de Aprendizes do Evangelho ou cursos para aprendizado da doutrina (como ESDE),, cujo objetivo central é exatamente esse. Com a orientação dos dirigentes, num regime disciplinar, apoiados pelo próprio grupo e pela cobertura do Plano Espiritual, conseguimos vencer as naturais dificuldades de tão nobre empreendimento, e transpormos as nossas barreiras. Daí em diante o trabalho continua de  modo progressivo, porém com mais entusiasmos e maior disposição. Mas, também, até sozinhos podemos fazer a nossa Reforma Íntima, desde que nos empenhamos com afinco de denodo, vivendo coerentemente com os ensinamentos de Jesus.


Extraído do livro Manual Práticos do Espírita - Ney Pietro Peres

sábado, 3 de março de 2018

TRANSFORMAÇÃO INTERIOR





Não intentes transformar a ninguém pela força – Emmanuel(1)

Milhares de criaturas humanas padecem e tombam invigilantes sob o influxo dominador e devastador do materialismo e das ilusões fáceis, sem cogitarem portanto, de amealharem enobrecedores e imperecíveis valores intelecto-morais par ao Espírito eterno, demorando nos interesses materiais e dos prazeres fugazes das sensações físicas. Outros tantos, não obstante o sincero devotamento e a fé que professam, trazem arraigados os atavismos das ideias preconcebidas e preconceituosas com relação a outras denominações religiosas e fisiológicas. Contudo, violar a liberdade de consciência e pensamento daqueles que não comungam as mesmas aspirações e ideais, intentando transforma-los pela força, é presunção e desrespeito ao clima de evolução ao qual estagiam, como sabiamente nos elucida o Espírito do Dr. Bezerra de Menezes no trecho de uma obra (2)

(...) respeitável, portanto, toda expressão de fé dignificadora em qualquer campo do comportamento humano (...) 

sendo mesmo inoportuno e contraproducente, irrompermos a luz  sem que os olhos estejam habituados a claridade. Allan Kardec nos aclara nesse sentido (3) 

(...) Jesus promete um outro consolador: O Espírito de Verdade, que o mundo não conhece ainda, porque não está maduro para compreendê-lo (...)

Noutra palavras, o aprendizado é gradativo ao conhecimento adquirido, do contrário, redundará em equívocos e falsas interpretações quanto a letra que mata sem que o Espírito vivifique. Sem a acidez da censura e do reproche contumaz, auxiliemos o próximo onde for e quanto pudermos, na amorosa proposta do Querido Mestre aos nossos corações (4)

 “Se alguém deseja seguir-me. Neguem-se a si mesmos, tome a sua cruz e me acompanhe”.

 O excelso convite, porém, não propõe abandonarmos nossas crenças e convicções íntimas; privando-nos do bem-estar, da segurança e conquistas materiais facultadas pelas leis de trabalho e progresso; mas, consoante à recomendação Paulina na epístola aos Efésios (5),

 despir-se do homem velho para revestir-se do homem novo, não tem sido tarefa simples, demandando perseverante e dedicado esforço na superação de nossas concepções e viciações de vidas transatas. Basta recordemos o belo e singular episódio evangélico, transcorrido em Betânia, aldeia da antiga Judéia, por ocasião da chegada do Mestre a casa de Marta e Maria, identificando naquele instante com profunda ternura, compreensão e paciência, a distância espiritual revelada entre ambas as irmãs. Quantos na posição de Marta, não se debatem inquietas e preocupadas no mundo, desatentas e indiferentes aos princípios de renovação e auto iluminação, sem vivenciarem a melhor parte que coube a Maria? Asseverou o Divino Amigo (6) 

“Conhecereis a verdade e a verdade vos liberará”.

Todavia, lembrando a maneira de pequena semente a reclamar tempo adequado de germinação, floração e produção de frutos sazonados, a mente humana, quando limitada ou vibrando noutras faixas de entendimento, necessitara igualmente da paciência que espera e da tolerância que suporta pelo o amor que exemplifica.

Marildo Campos Brito

1 – Busca e Acharás – Francismco C.Xavier – cap 48
2- Loucuras e Obsessão – Divaldo P. Franco – cap 25 pag 318
3- O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap VI pag 74
4- Novo Testamento – Mateus 16:24
5- Novo Testamento – Efésios 4: 22 a 24
6- Novo Testamento – João 8: 32

Texto extraído do jornal Tribuno do Espiritismo março/2018
institutocairbarschutel.org/wp-content/uploads/2018/02/tribuna_marco18.pdf

A Cura Começa quando Paramos de Fugir do que Sentimos

Curar não se parece com um triunfo imediato, nem como uma luz acesa o tempo todo. Curar, muitas vezes, manifesta-se como cansaço, como silên...