Mostrando postagens com marcador Ermance Dufaux. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ermance Dufaux. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de março de 2021

Dores do Martírio - Ermance Dufaux - Livro Reforma Íntima sem Martírio

 


“Não consiste a virtude em assumirdes severo e lúgubre (fúnebre) aspecto, em repetirdes os prazeres que as vossas condições humanas vos permitam”.

“Não imaginais, portanto, que para viverdes em comunicação constante conosco, para viverdes sob as vistas do Senhor, seja preciso vos cilicieis e cubrais de cinzas.”

Um Espírito Protetor (Bordéus, 1863).

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Cap. XVII, item 10.

No capítulo do crescimento espiritual torna-se essencial distinguir o que são as dores do crescimento e as dores do martírio. Não existe reforma íntima sem sofrer, mas martírios é uma forma de autopunição; são “penitências psicológicas” que nos impomos como se com isso estivéssemos melhorando.

Em razão do complexo de inferioridade que assola expressiva parcela das almas da Terra, e cientes de que semelhante violência psicológica deve-se ao nosso voluntário “afastamento de Deus”, ao longo das etapas evolutivas, fazendo-nos sentir inseguros e impotentes, hoje criamos as “capas mentais” para nos sentirmos minimamente bem e levar avante o desejo de existir e viver. Essas capas são as estruturas do “eu ideal” que nos leva a crer sermos mais do que realmente somos, uma defesa contra as mazelas que não queremos aceitar em nós mesmos.

A melhoria íntima autêntica ocorre pelo processo de conscientização e não pelas dores decorrentes de cobranças e conflitos interiores, que instalam “circuitos fechados” e pane na vida mental.

Sem dúvida, todos sofremos para crescer; martírios, no entanto, é o excesso que nasce da incapacidade de gerir com equilíbrio o mundo emotivo, assumindo proporções e facetas diversificadas conforme o temperamento e as necessidades de cada qual. Não confundamos também com sacrifício – ato que ocasiona dores intensas com o objetivo de alcançar algumas meta ou superar alguma dificuldade.

O que define a condição psíquica de martiriza-se é o fato de se crer no desenvolvimento de qualidades que, de fato, não estão sendo trabalhadas na intimidade. São as dores impostas a nós mesmos pelas atitudes de desamor, quando acreditamos no “eu ideal” e negamos ou frigimos de “eu mesmo”.

Quase sempre as dores do martírio decorrem de não querermos experimentar as dores do crescimento. Um exemplo típico é quando somos convocados a examinar certa imperfeição apontada por alguém e, entre a dor da auto avaliação e a dor da negação, preferimos a segundo, a qual integra a lista das “dores excesso”.

Dentre as formas autopunitivas mais comuns, destacamos que a maneira pela qual reagimos a nossos erros tem sido um canal de acesso a infinitas dimensões expiatórias. Muitos corações transformam o erro e a insatisfação com suas experiência em quedas lamentáveis e irrecuperáveis, quando a escola da vida é um gesto de sabedoria e complacência convidando-nos sempre a reerguer e recomeçar, perante todos os insucessos do caminho.

Quando digo assim: “não posso mais falhar” será mais difícil a conquista de si. Dessa forma começamos a conhecer os grandes inimigos do autoamor no nosso íntimo. Um deles é o perfeccionismo – uma das fontes de martírio que costuma dizimar a energia de muitos aprendizes da espiritualidade. Querendo se transformar, partem para um processo de auto inaceitação e de autor reprovação muito cruéis, inclinando-se para a condenação. A questão não é lutar contra nós, é sim conquistar essa parte enfermo recuperá-la, e isso jamais conseguiremos se não aprendermos a amar a esse nosso “lado doentio”.

Essa forma inadequada de reagir a nossos erros abre porta para muitas consequências graves, e às vezes maiores que o próprio erro em si, tais como: estado íntimo de desconforto e desassossego quase permanente, torturante sensação de perda de controle sobre a existência, baixa tolerância à frustação, ansiedade de origem ignorada, medos incontroláveis de situações irreais, irritações sem motivos claros, angústia perante o porvir com aflições e sofrimento por antecipação, excesso de imaginação ante fatos corriqueiros da vida, decresça no espaço  de mudança e nas tarefas doutrinárias, mau-humor,  decisões infelizes no clima emotiva de confusão mental, intenso desgaste energético decorrente de conflitos, desânimo – são algumas dores do martírio.

Quando permanecem prolongadamente, esses estados psicológicos configuram uma auto-obsessão que pode atingir o campo do vampirismo e de ilimitadas doenças físicas.

Poder-se-ia indagar a origem mais profunda de tantas lutas e teríamos que vagar por um leque de alternativas tão amplas quanto são as individualidades. Todavia, para nossos propósitos desse momento, convém-nos refletir sobre uma das mais pertinentes atitudes que têm levado os discípulos espíritas aos sofrimentos voluntários com os seus processos de interiorização. Sejamos claros e sem subterfúgios para o nosso bem. O culto à dor tornou-se uma cultura nos ambiente espíritas. Condicionou-se a ideia de que sofrer é sinônimo de crescer, de que sofrer é resgatar, quitar. Portanto, passou-se a compreender a “dor-punitiva” como instrumento de libertação, quando, em verdade, somente a dor que educa liberta. Há criaturas dotadas de largas fatias de conhecimento espiritual sofrendo intensamente, mas que continuam orgulhosas, insensatas, hostis e rebeldes.

Não é a intensidade da dor que educa, é sim o esforço de aprender amenizá-las.

O espírita costuma “neutralizar” a proposta da reforma íntima. É a “neurose de satisfação”, um modo imaturo de agir em razão da ausência de noções mais profundas sobre a sua verdadeira realidade espiritual.

Constatamos que existe muita impaciência com a reforma íntima devida a angústia causado ao Espírito devido ao contato com sua verdadeira condição diante do Universo. Cria-se assim para si, através de mecanismos mentais, as “virtudes de adorno” ou “compensações artificiais” a fim de sentir-se valorizado perante a consciência e o próximo. São esconderijos psíquicos nos quais quase sempre enfurnamos para não tornarmos contato com a “verdade pessoal”...

Essa neurotização da virtude gera um sistema de vida cheia de hábitos e condutas rígidas, a título de seguir orientações da doutrina. Adotam-se procedimentos que não são sentidos e “triturados” pela arte de pensar. Isso nos desaproxima ainda mais da autêntica mudança e passamos então a nos preocupar com o que não devemos fazer, esquecendo o que devíamos estar fazendo. Certamente esse caminho gera martírio e ônus para a vida mental.

Existem muitas dores naturais no crescimento espiritual que estabelecem um processo crônico de pressão psicológica, entretanto, diferem muita da autoflagelação, porque elas impulsionam e fazem parte da grande batalha pela promoção de todos nós. Observa-se, inclusive, que alguns corações sinceros, inseridos no esforço autoeducativo experimentam essa “silenciosa expiação”, mas, por desconhecerem os percalços do trabalho renovador, terminam por desistirem de prosseguir e atolam-se no desânimo. Acreditam-se piores quando constatam semelhantes quadros de dor psicológica e deduzem que, ao invés de progredirem, estão em plena derrocada. Diga-se de passagem, não são poucos os quadros com essas características que temos observado no seio do movimento doutrinário.

Frequentemente existe um trio de sicários da alma que achicoteiam durante as etapas do amadurecimento, são eles: baixa autoestima culpa e medo de errar. Apesar de serem sofrimentos psíquicos, funcionam como emuladores do progresso quando nos habilitamos a gerenciá-los. Assim, a culpa transforma-se me auto aferição da conduta e freio contra novas quedas, a baixa autoestima converte-se em capacidade de descobrir valores e o medo de errar promove-se a valoroso arquivo de experiências e desapego de padrões.

Face ao exposto, indaguemos sobre quais seriam as medidas que deveriam ser implementada nos núcleos educativos do Espiritismo, em favor da melhor compreensão dos roteiros de transformação interior. Aprofundemos o debate entre dirigentes sobre quais iniciativas poderiam ser facilitadas aos novéis trabalhadores em favor de um aprendizado sem os torturantes conflitos originados da crueldade aplicada nos mesmos, quando não somos criativos o bastante para lidar com nossa sombra e tombarmos em martírios inúteis.

Reforma íntima deve ser considerada como melhoria de nós mesmos e não a anulação de uma parte de nós considerada ruim.

Uma proposta de aperfeiçoamento gradativo cujo objetivo maior é a nossa felicidade.

Quem está na reforma anterior tem um referencial fundamental para se autoanalisar ao longo da caminhada educativa, um termômetro das almas que aprimoram; inevitavelmente, quem se renova alcança a maior conquista das pessoas livres e felizes: o prazer de viver.

Ermance Dufaux

Capitulo 1 do livro Reforma íntima sem Martírio – psicografia de Wanderley de Oliveira

 

m

sexta-feira, 12 de março de 2021

Consciência de si - Ermance Dufaux - Livro Reforma Íntima sem Martírio

 

“Em princípio, o homem que se exalça (engrandece) que ergue uma estátua à sua própria virtude, anula, por este simples fato, todo o mérito real que possa ter. Entretanto, que direi daquela cujo único valor consiste em parecer o que não é? Admito de boamente que o homem que pratica o bem experimenta uma satisfação íntima em seu coração; mas, desde que tal satisfação se exteriorize, para colher elogios, degenera em amor-próprio”.

François- Nícolas- Madeleine (Paris, 1863).

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Cap. XVII, item 8

Estudiosos discípulos do Espiritismo propôs-nos a seguinte indagação: que revelações novas teriam os amigos, espirituais em favor do aperfeiçoamento interior nessa hora de tantas lutas na Humanidade?

Em resposta a seu pedido sincero de aprender exaramos os textos aqui discorridos, Não constitui novidades, e sim um enfoque prático para velhas questões morais que absorvem quantos anseiam pela melhoria de si mesmo.

Nossa proposta é apresentar algumas ideias-chaves” com fins de meditação e auto aferição, ou ainda para estudos em grupos que anseiam por buscar respostas sobre as intrigantes questões da vida interior. Se não entendermos realmente a razão de nossas atitudes, não reuniremos condições indispensáveis para o serviço renovador de nós próprios.

A capacidade de administrar o mundo objetivo torna-se cada dia mais precisa e rica de tecnologia para melhor eficácia nos resultados, todavia, a inabilidade na gerência do mundo íntimo é comprovada, a todo o instante, pelos atestados de descontrole e insatisfação que o homem tem demonstrado em sua vida pessoal. Homens vencedores edificam pontes maravilhosas que se tornam cartões-postais no mundo inteiro, porém, nem sempre dominam a arte de construir um singelo fio de atenção que possa estabelecer uma ponte entre ele e seu próximo, diminuindo a distância que os separa. Cirurgiões habilidosos transplantam órgãos sensíveis com precisão e controlo nos dedos, e, no entanto, constantemente desequilibra-se quando pequeno talher escapa das singelas mãos de seu rebento, gerando perturbação e mal-estar na prole. Se o cerne da proposta educativa do Espiritismo é a melhoria espiritual pela reforma íntima, essa, por sua vez, tem por objetivo elementar, libertar a consciência dos grilhões do ego para que possa brilhar com exuberância, sem as sombras que teimam em buscar-lhe. Travamos ao iniciar a renovação de nós mesmos, uma batalha entre o ego e consciência nos rumos da conquista do selfdefinitivo.

Reforma íntima! Eis o tema predileto dos adeptos do Espiritismo no vastíssimo repositório de assuntos elevados que nos desafia o entendimento sob a ótica do Espirito imortal. Apesar de sua predileção, constata-se que a assiduidade com a qual é tratada não lhe tem garantido noções mais dilatadas que permitam o esforço consciente na transformação da personalidade humana.

Nessa ótica, exaremos alguns conceitos que merecem ser resgatados no seu melhor entendimento:

Uma é normal construção gradativa de valores, a solidificação de qualidades eternas.

Uma normal proposta de plenitude e não de derrotismo. É fazer mais luz para varrer as sombras. Muitos, porém, acreditam que luz se faz extinguindo as trevas...

É a formação do homem de bem. Não se trata de deslocar vícios e colocar virtudes. É dada muita importância às imperfeições nos ambientes da doutrina, quando deveríamos mais falar das virtudes do homem de bem.

Processo libertador da consciência. Não se trata de vender o ego, mas conquistá-lo através do domínio natural da “voz” divina que ecoa em nossa intimidade.

Reforma íntima não deve ser entendida apenas como contenção de impulsos inferiores. Muito, além disso, tornar-se urgente analisa-la como o compromisso de trabalhar pelo desenvolvimento dos lídimos (verdadeiros) valores humanos na intimidade. Circunscrevê-la a regimes de disciplina pela vigilância de vontade e vontade poderá instituir a cultura do martírio e da tormenta como quesitos indispensáveis ao seu dinamismo.

Contenção é aglutinação de fossas de defesa contra a rotina mental dos reflexos do mal em nós. Todavia, somente e edificação da personalidade cristã, pródiga de qualidades morais nobre, permitirá a paz interior e o serviço de libertação definitiva para além-muros da morte corporal. Por essa razão, entre os seguidores da mensagem espírita, urge difundir noções mais lúcidas sobre o nível de comprometimento a que devem se afeiçoar todos os seus aprendizes. Apenas evitar o mal não basta imperioso fazer todo o bem ao nosso alcance. A reforma de profundidade exige devoção integral aos deveres da espiritualização, onde quer que estejamos criando condições para vivências íntimas que asseguram comoções afetivas revitalizadoras e motivadoras a rumos mais vastos na ação e na reação: é a criação de condicionamentos novos elevados.

Assim como o corpo não extirpa partes adoecidas, mas procura harmonizá-las ao todo, a alma procede seu crescimento dentro do princípio de ‘reaproveitamento” de todas as experiências infelizes .

Quem busca o aprimoramento de si mesmo tem como primeiro desafio o encontro consigo. A ausência de ideias claras sobre nós próprios constitui pesado 6onus a ser superado, o qual tem levado corações sinceros e bem-intencionados à dolorosos conflitos mentais com a melhoria individual, instaurando uma doloroso processo de martírio a si mesmo.

Não existe reforma íntima sem dores, razão pela qual será oportuno discernir as dores do crescimento e quais são as dores que decorrem de nossa incapacidade em lidar com as forças ignoradas da vida subjetiva em sós mesmos. A distinção entre ambas tornará nosso programa de melhoria pessoal um tanto mais eficaz e menos doloroso.

Fala-se muito do homem velho e quase nada sobre como consolidar o homem novo. Dominados pelo mau hábito de destacar suas doenças espirituais, criou-se um sistema neurótico de superavaliação das imperfeições morais que tem conduzindo muitos espiritistas (espíritas) à condição de autênticos “hipocondríaco (tristes) da alma”.

Conter o mal é parte do processo transformador, construir o bem é a etapa nova que nos aguarda.

Bem além de controle, educação.

Acima de disciplina com inclinações, desenvolvimento de qualidades inatas.

Maturidade pode ser definida pela capacidade individual de ouvir a consciência em detrimento (prejuízo) dos apelos do ego. Quanto mais fizermos isso mais seremos maduros e libertos. A saúde é estar em contato pleno com a consciência e a doença é a escravidão ao ego. Reformar-se é tomar consciência de “si mesmo”, dar “perfeição latente” à qual nos destinamos. Em outras palavras, estamos enaltecendo o ato da autoeducação.

Foi notável Jung que afirmou: “Até onde discernir o único propósito da existência humana é acender uma luz na escuridão do mero ser”, (1).

Imperioso que acendamos essa luz, a luz que promana da autocrítica, em a qual não nos educaremos.

Como exercer um juízo crítico honesto sem o conhecimento das artimanhas da velha personalidade que geramos?

Senso crítico é, portanto, um dos pilares essenciais para a formação da autoconsciência, o qual nos permitirá desvendar as trilhas em direção aos tesouros divinos incrustados em pleno coração dessa selva de imperfeições, que trazemos dos evos.

Apresentamos nessa obra alguns “mapas” para devassarmos essa selva com segurança. Rotas para velhos temas morais já conhecidos de todos nós, os espiritistas, mas que nem sempre conseguimos trazê-los para a intimidade no atendimento satisfatório do anseio exuberante que espraia de nossas almas na construção da personalidade nova.

Decerto, como todo mapa, os caminhos para se atingir o destino são variados e pessoais, conforme a ótica e a escolha de cada qual, e por esse motivo entregamos todas as nossas abordagens com total despretensão quanto a resultados. Todavia, como a peregrinação pelos “vales sombrios” da nossa intimidade é repleta de imprevistos e “ciladas”, não abdicamos da palavra clara e sincera, acrescendo alguns exemplos de histórias dolorosas de quantos foram iluminados pela luz da Doutrina Espírita, sem inumarem a si próprios com a luz da experiência e da renovação.

Jamais moveu-nos a intenção de que nossas considerações, aqui exaradas, pudessem construir um roteiro de orientação ou uma tese didática sobre o temos com objetivo de traçar normas de conduta. Para nós não ultrapassam a condição de sugestões para diálogo em grupo ou meditações individuais. Nossos textos são u “início e conversa” um “ponto de partida” para que vós outros na Terra empreendam a discussão livre e salutar sobre os caminhos da transformação humana, à luz do Espírito imortal. Nosso coração estará sempre onde existirem os colóquios francos e produtivos acerca desse tema.

Sem pessimismos algum, mensurar a condição pessoal, sem conhecimento pleno das histórias contidas em nossas “fichas reencarnatórias”, é, quase sempre, proceder a uma análise míope das condições espirituais autênticas que cercam nosso trajeto nos milênios. Por isso, palpitam muitas ilusões no terreno da nossa luta reencarnatórias, na carne ou fora dela. “Em princípio, o homem que se exalça, que ergue uma estátua à sua própria virtude, anula, por esse simples fato, todo mérito real que possa ter”.

Nossas reflexões destinam-se a uma auto avaliação. Sem uma incursão sincera no mundo de nós próprios, a fim de aquilatar o que somos e não somos, corremos o severo risco de repetir as múltiplas histórias que temos acompanhado por aqui, na vida imortal, na qual o coração bafejado pelas concepções doutrinárias acalenta uma miragem de si para além de suas reais proporções, tende que se olhar; sem refúgios, no “espelho da imortalidade” amargando doloroso processo de desilusão.

Buscando nossa inspiração em O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – repositório ético para a felicidade humana e incomparável manancial de inspiração superior – no qual encontramos inesgotável fonte de instrução e consolo dos Bondosos Guias da Verdade, em favor dos roteiros dos homens ante suas provas e expiações. Consideremo-lo como sendo um receituário moral para todas as necessidades humanas na Terra.

Entregamos nossos apontamentos com alegria aos leitores e amigos, esperançosa de que a celeste misericórdia multiplique nossas migalhas de amor, saciando a fome da alma com bênçãos de paz e estímulo na aquisição da consciência de si.

Atenciosamente

Ermance Dufaux

Belo Horizonte – MG, 16 de fevereiro de 2003.

(1)    MEMÓRIAS, SONHOS E REFLEXÕES, Nova Fronteira Editora - RJ.

sábado, 18 de maio de 2019

MEDITAÇÃO EMOCIONAL

"O silêncio e o recolhimento são mais fáceis e tudo se passa como em família"O Livro dos Médiuns - cap 29, item 335

Os estágios de consciência são degraus do autoconhecimento decorrentes da superação dos conflitos internos do ser.

Há pessoas evitando seus sentimentos por medo deles, desconhecendo-os, e isso não leva à educação. Outros existem que nem se dão conta de quais sejam suas emoções, e ainda há os que estão caminhando para utilizá-las em seu crescimento.

A meditação emocional é uma forma de lidarmos com a afetividade, estimulando-a sob a influência de visualizações mentais criativas, sadias e moralmente enobrecedoras. Por isso, inserimos abais pequenas frases indutivas que poderão servir de intgrólito para projetarmos a mente no dia-a-dia da faina doutrinária, e extrairmos os conteúdos de reavaliação e auto-exame, brindando-nos com pequenos lampejos no despertamento do afeto.

A continuidade do exercício será responsável pela otimização dos resultados, que podrão ser percebidos rapidamente, embora precisarão ser seguidos da vivência a fim de que seja definitivamente consolidados nas profundezas das delicadas e sublimes "engrenagens da afetividade"no corpo mental.

Despertar afeto significa colocar o outro  e nós mesmos na tela mental das reflexões, dilatando a empatia e procurando senti-lo, entendê-lo, perscrutar-lhe as ações, procedendo a uma avaliação dos relacionamentos, dos fatos rotineiros, dos cuidados, das ocorrências ditosas e das menos felizes, fazendo um apanhado das atitudes, elaborando mentalizações de conduta honesta e reta, sempre desculpando o outro e estudando a si mesmo, descobrindo as causa profundas das decisões e dos impulsos.

Em verdade, meditar, não substitui a ação. A caridade é o mair exercício de Amor e despertarmos da sensibilidade, conquanto tenhamos na meditação um instrumento que será absorvido com facilidade pelas pessoas habituadas à auto-avaliação ou que estejam predispostas a aprendê-la, fortalecendo o desejo e enrijecendo as disposições para conviver bem, sob o pálio do Amor incansável. Conviver bem é ter sabedoria para abordar o próximo tomando sóbria a relação, agradável preenchedora, persistentemente, quantas vezes se fizerem necessárias. Além disso é significativa a utilização da empatia e da vigilância para saber revitalizar essa permuta cativando-a sempre com os nutriente atos do afeto altruísta.

Semelhante iniciativa demanda permanente postura de auto-avaliação, descobrindo em nós, quais as causas reais para o que sentimos, pensamos e fazemos nos relacionamentos.

O estudo de nós próprios, seguido de ações renovadoras, será responsável pelo estabelecimento de elos mais duradouros enriquecedores, mormente com aqueles os quais temos à conta de desafetos do cotidiano. Daí a importância da meditação sobre os episódios diários que nos cercam a convivência.


Escolha um momento mais disponível em que estejas mais relaxado e liberado das obrigações rotineiras, mais descansado fisicamente, ou então nos finais de noite, como preparo indispensável ao sono.

Faça uma prece a seu Espírito protetor e mantenha-se por um tempo pequeno apenas sentindo o clima da oração, assossegando a mente, relaxando as tensões físicas, formando o "piso mental"para a meditação.

Em seguida inicie a leitura das frases por nós sugeridas e detenha-se naquela que mais lhe desperte interesse, remetendo-se em seguida a uma meditação sobre sua vivência em grupo, seja instituição doutrinária seja nos campos de ação de sua vida pessoal.

Especialmente procure voltar a meditação para os acontecimentos em que a consica6enica chamou-te à integridade do comportamento, e reflita nos "porquês de tua conduta, analisa nas lembranças os móveis de tua ação, e agora repensa o agir, os novos contatos, projetando uma atitude feliz e equilibrada, conduzindo teus raciocínios para a medida corretiva; ora novamente suplicando a Deus as reservas de força que carecerás para encetar o novo comportamento; enlei-te na imagem mental do abraço fraternal com o outro, sempre perdoando-lhe as ações e descuidos.

Vai-te acostumando a essa auto-avaliação sempre e com o tempo de ti mesmo passará a se espontânea. Sentiras uma imperiosa necessidade de entenderes tuas decisões, tuas distrações, teus instantes gloriosos, tuas decepções, teus sucessos, tuas amarguras, tuas expectativas frustradas, penetrando na intimidade, na alma dos acontecimentos, extraindo dali o contingente da realidade "não visível, "não palpável", ao homem o fisiológico desatento dos deveres do auto encontro.

Somente de posse de semelhante compreensão haurirás os recursos para burilar tuas manifestações interpessoais e empreender a afetividade sem se comprometer com a ingenuidade com a lascividade, com as frustrações amorosas, com os traumas educacionais, com os conflitos do "existi"e do  ser", permitindo que não te apegues em demasia que sejas um convite sincero à amizade e que irradies a harmonia e a simpatia a quem te rodeia.

Desse auto-encontro sairás cada vez mais senhor de ti mesmo, pronto a conviver com mais proveito pelo bem alheio e teu próprio, utilizando com dinamismo e riqueza essa preciosa capacidade doa feto sem os desaires emocionais, fazendo dele uma fonte terapêutica e um caminho de plenitude em favor de tua felicidade, bem distante do pieguismo e do sentimentalismo infrutíferos,

Sem conheceres bem a ti mesmo, jamis te tornará apto a compreenderes a ação alheia.

Se não compreenderes o outro, perderás os frutos sazonados que a escola do relacionamento tem a oferecer-te.

Estando bem contigo, conseguirás ser a mão amiga, o coração acolhedor e a diretriz para quem partilha tua presença.

Jesus, o educador incomparável, estabeleceu o vós sois luz do mundo como sendo delicioso convite para que nós, os seus aprendizes, sejamos constante estímulo aos viajantes dos grupamentos de nossa convivênvia, espargindo alegria, esperança, bondade e paz.

MEDITAÇÃO 1
Intimidade nos relacionamentos é a zona delicada da convivência que apela par a virtude e o caráter, a fim de saber fazer dela o que se deve, e não o que se quer.

MEDITAÇÃO 2
Em círculos de trabalho, onde o afeto se resguarda sob a tutela do medo de relacionar, mantendo dist6ancia afetiva, alastra-se um campo fértil para a mentira, a mágoa e a insatisfação.

MEDITAÇÃO3
O que você fez essa semana para enriquecer o tesouro da amizade no conjunto de teus companeiros de ideal?

MEDITAÇÃO 4
Evita reclamar cotas de atenção e generosidade aleia.
Com o tempo, se te aplicares, perceberás que é muito mais gratificante ser amável e querer bem a todos.
Exercita-se.

MEDITAÇÃO 5
Estabeleça em tua casa espírita o mural da fraternidade.
Expresse ali os bons sentimentos. Um bilhete motivante, um cartão terno, uma mensagem nobre de estímulo, a lembrança do natalício, uma frase edificante de valorização.
Mural do afeto, termômetro emocional do grupo.

MEDITAÇÃO 6
Aversões afinidades, desafetos, simpatias, todas elas são lições emocionais, aulas do coração.
Quando surjam, pergunte: Senhor, como devo amar nessa ocasião?

MEDITAÇÃO 7
Descontração e júbilos festivos, ensejam saúde à convivência.
Todavia, nenhum rumo de integração para o relacionamento é tão efetivo e prudente qual ode repartires ideias e emoções, sob a égide do trabalho espiritual com finalidade sempre elevadas.

MEDITAÇÃO 8
Mantém-te sereno ante as reações inesperadas e hostis daquele que obreia contigo na tarefa de amor.
Muitas vezes não podes avaliar o esforço por ele despendido para guardar a integridade até aquele momento em que tombou na fragilidade.

MEDITAÇÃO 9
Para aqueles que desertam das tarefas doutrinárias por entre mágoas e desentendimentos , mentaliza sempre a condição do doente que resolveu abandonar o tratamento em franca rebeldia, reguarda-te em oração por ele.
Você sabe: sendo assim, ele, em verdade, só precisa de apoio, orientação, estímulo e carinho.Reprimendas são dispensáveis, quando já se adquiriu a luz dos conhecimentos espirituais.

MEDITAÇÃO 10
A estabilidade emocional de um grupo é medida pelo desejo individual de seus membros em cooperar nas soluções dos problemas que surgem habitualmente, evitando fazar a mente e o coração nos problemas existentes.

Ermance Dufaux
Livro Laços de Afeto - psicografia de Wanderley Oliveira






CORROSIVOS DA SENSIBILIDADE

A educação do coração no estágio em que nos encontramos conta com empecilhos de largas proproções para o exercício do Amor.


Existem sulcos psico-emocionais profundos no "aparelho mental"que funcionam ativamente como "inibidores do afeto", compondo entraves vigorosos nas fibras da sensibilidade junto ao sistema da afetividade do ser integral. Adquiridos em milênios de renitente rebeldia no erro, tais óbices fazem parte desse desafiante processo auto-educativo nos rumos da aquisição do patrimônio do Amor.

A culpa, a mágoa, o preconceito, a ingratidão, o medo, azedume e as frustrações são os monturos emocionais mais comuns e corrosivos do sentir Divino, fatores perturbadores, alteradores e neutralizadores do funcionamento harmonioso do pulsar emocional. "Conquistas" nossas das quias teremos que aprender a nos libertar.

Outros corrosivos adjacentes e agravadores são os traumas infantis, bloqueios defensivos de vivências pretéritas, doenças endócrinas, distúrbios do humor, estima corporal, relacionamentos de conveniência, sobrecarga com interesses materiais e competitividade exacerbada, tensões físicas emocionais, cansaço, inquietação interior e sentimentalismo - fatores perturbadores da expansão afetiva.

Nenhum deles, porém, é eterno ou insuperável quando a alma se abre para o auto-descobrimento, a disciplina, a ação no bem.

A direção que imprimimos ao afeto, seguida de decisões infelizes, esculpiram a natureza enfermiça de tais sentimentos, porém nada nos impede de renovar essa "qualidade imperfeita"e retomar a "condição natural"das emoções que foram adquiridas para a felicidade e a paz, esse o seu destino maior.

E como encetar uma nova caminhada? Como nos recompor ante a consciência?

Resgatar a sensibilidade e enobrecer a ação são alguns dos desafios, Vamos pensar sobre isso?

Ermance Dufaux - Livro Laços de Afeto - psicografia de Wanderley Oliviera.

EDUCAÇÃO DO AFETO

Costuma-se asseverar que a distinção entre o homem e o animal é a inteligência, com o que ousamos discordar, como repeito aos conhecimentos tradicionais. Grande parte dos homens, detentores da capacidade de pensar com continuidade e de decidir sobre suas ações, estão agindo à semelhança ou pior que os irracionais em plena ausência de ética, na quase total incapacidade de escolha.

Para nós, o que distingue esses reinos e faz o homem mais apto ante a Criação Divina é a forma de sentir a vida, facultando-lhe melhor possibilidade de utilizar as habilidades e competências inatas no íntimo, destinando-as à construção do ser.

O avanço das pesquisas na neurociência permitiram ampliar as noções sobre inteligência, constatando uma multiplicidade de habilidade muito além da cognição.

O Espírito as desenvolve no tempo; exemplo disso é a inteligência cinestésica comum em esportistas ou a pictográfica que faz desenhistas e pintores natos.

Oficialmente, divide-se essas habilidades e competências em inteligência intrapessoal e interpessoal, sendo a primeira na relação interna e a segunda na relação com o outro.

Essas inteligências consistem na habilidade de reagir com equilíbrio ante os fatos da vida. Conquistada nos séculos, capacita a individualidade com enorme desenvoltura na arte de decidir com o coração. É fruto de longa aplicação da virtude da ponderação e da honestidade em milênios, cultivadas na dignificação da sensibilidade com a qual aprende-se a pensar pelo sentir. Força descomunal tem a o afeto sobre a inteligência dos raciocínios, manifestando a intuição, a fé e a capacidade de escolha com mais sintonia com o bem.

Indubitavelmente o quesito que mais declara o coeficiente de habilidade afetiva de alguém ;e ter para si mesmo a convicção plena e vivenciada de que é mais valoroso dar afeto que recebê-lo, levando seu portador a ser um mensageiro inexaurível de otimismo, irradiante alegria, vigor solidário e plenitude de respeito aos de sua convivência, gratificando-se no ato de amar, mesmo que não seja amado. Além disso, devido ao cultivo secular da ponderação, tal criatura é dotada de extenso e espontâneo desejo de aprender, com inalterável jovialidade sobre seu conhecimento, não o fazendo um instrumento de destaque ou humilhação, mas colocando-o a serviço de seu crescimento e do grupo social onde participa.

Evidentemente, como trata-se de um ser que acalentou e acalenta a virtude da honestidade moral, traz a consciência límpida, sem os tormentes de culpa asfixiante e neurotizante, conquanto esteja expurgando por vias mais saudáveis seus erros de outrora.

Esse estado consciencial é fator determinante do fluxo do sentimento, que exsuda [pelos "poros"como um perfume natural da criatura, irradiando em halo de vigoroso atração e magnetismo salutar.

Nos programas doutrinários para a educação do afeto nas relações, destacamos algumas importante lições a serem estudadas e exercitadas:

- Conhecer os sentimentos.
- Adquirir o controle sobre as reações emocionais.
- Saber conviver harmoniozamente com os sentimentos maus.
- Saber revelar seus sentimentos com assertividade.
- Exercitar a sensibilidade.
- Expressar o afeto na convivência.

Ermance Dufaux - Livro Laços de Afeto - psicografia Wanderley Oliveira



APRENDER A AMAR

Escutamos frequentemente frases que constituem atestados de incompatibilidade ou admiração instantânea em relacionamentos, emitidas rotineiramente nas diversas rodas de convivência, definindo alguns sentimentos que temos pelo outro como se fossem predestinados e definitivos.

Convivemos, comumente, "ao sabor" daquilo que sentimos espontaneamente por alguém.

Consideremos nesse tema que o Amor não é um automatismo do sentir no aprendizado das relações humanas, como se houvessem fatores predisponentes e inderrogáveis para gostar ou não gostar dessa ou daquela criatura.

Amar é uma aprendizagem. Conviver é uma construção.

Não existe Amor ou desamor à primeira vista, e sim simpatia ou antipatia. Amor não pode ser confundido com um sentimento ocasional e especialmente dirigido a alguém. Devemos entendê-lo com O Sentimento Divino que alcançamos a partir da conscientização de nossa condição de operários na obra universal, um "estado afetivo de plenitude", incondicional, imparcial e crescente.

Ninguém ama só de sentir. Amor verdadeiro é vivido. O atestado de Amor verdadeiro é lavrado nas atitudes de cada dia. Sentir é o passo primeiro, mas se a seguir não vêm as ações transformadoras, então nosso Amor pode estar sendo confundido com fugazes momentos de felicidade interior, ou com os tenros embriões dos novos desejos no bem que começamos a acalentar recentemnte.

O Amor é crescente no tempo e uniforme no íntimo, não tem hiatos.

Mesmo entre aqueles que a simpatia brota instantaneamente, Amor e convivência sadia serão obras do tempo no esforço diário do entendimento e do compartilhamento mútuo do desejo de manter essa simpatia do primeiro contato, amadurecendo-a com o progresso dos elos entre ambos.

Sabendo disso,  evitemos frases definitivas que declarem desânimo ou precipitação em razão do que sentimos por alguém. Relações exigem cuidados para serem edificadas no Amor, e esse aprendizado exige os testes de aferição no transcorrer dos tempos.

Se nos guardarmos na retaguarda moral e afetiva, esperando que os outros melhorem e se adaptem às nossas expectativas para com eles, a fim de permitirmos-nos amá-los, então, certamente, a noção de gostar que acalentamos é aquela na qual ainda acreditamos que Deus faculta isso com Dom Divino e natural em nossos corações conforme a sua Vontade.

Encontrando-nos nesse patamar de evolução, nada mais fazemos que transferir para o Pai a responsabilidade pessoal do testemunho sacrificial, na criação de elos de libertação junto a quantos esposam nossos caminhos na refregas da vida.

Amor não é empréstimo Divino para o homem e sim aquisição de cada dia na aprendizagem intensiva de construir relacionamentos propiciadores de felicidade e paz.

Espíritas que somos temos motivos para crer na força do Amor., enquanto a falta de razões convincentes tem induzido multidões de distraídos aos precipícios da dor, porque palmilham em decidia queda para as furnas do desrespeito, da lascividade, da infidelidade, da vingança e da injustiça, em decrépitas formas de desamor.

A terapêutica do Amor é, sem dúvida, a melhor e mais profilática medicação do Pai para seus filhos na criação. Compete-nos, aos que nos encontramos à míngua de paz, experimentá-la em nossos dias, gerando fatos abundantes de Amor, vibrando em uníssono com as sábias determinacões cósmicas estatuídas para a felicidade do ser na aquisiçao do glorioso e difinitvo título de Filhos de Deus.

E se esse sentimento sublime carece aprendizagem, somento um recurso poderá promover semelhante conquista: a educação.

Ermance Dufaux
psicografia de Wanderley Oliveira - Livro Laços de Afeto



quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Llivro Reforma Íntima sem Martírio (Prefácio) - Ermance Dufaux - UMA PALAVRA INSPIRADORA





“Por Que não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse eu faço”. Paulo de Tarso (Romanos, 7:19)


Uma pergunta jamais deverá deixar de ser o centro de nossas cogitações nas vivências espíritas: em que estou melhorando?

Ter noções claras sobre as conquistas interiores, mesmo que pouco expressivas, e valoroso núcleo mental de motivação para a continuidade da empreitada da renovação. Por sua vez, não dar valor aos passos amealhados e permitir a expansão do sentimento de impotência e menosprezo aos esforços que já temos encetado.

Como seria justo, os irmãos na carne poderiam indagar: como adquirir então essa noção clara sobre a posição espiritual de cada um, considerando o tamponamento do cérebro físico?

A única postura que nos assegurará a mínima certeza de que algo estamos realizando em favor de nossa ascensão que idealizamos. Os obstáculos serão incessantes até o fim da existência, não nos competindo nutrir expectativas com facilidades, mas sim a coragem e o otimismo indispensáveis para vencer um desafio após o outro.

Que a esperança não desfaleça diante desse prognóstico. Nossas conquistas não podem ser edificadas na calmaria. Nossas virtudes não floresceram sem os golpes da dor que dilacera arestas e poda aos espinhos da perfeição.

Nossa palavra de ordem é recomeçar – uma palavra inspiradora.
Quantas vezes se fizerem necessárias, a nossa grande e única virtude nos áridos campos do aprimoramento íntimo é a capacidade de resistir aos apelos para a queda, jamais desistindo do ideal de libertação que acalentamos mesmo que desmotivados, aprendendo mesmo que sem objetivos definidos.
A própria reencarnação é o mecanismo divino do recomeço, da retomada.
Justo, portanto, que abracemos amorosamente os compromissos abandonados de outros tempos e aplainemos nossos caminhos tortuosos.
Em meio ao lodaçal do desânimo nasce o lírio da personalidade tenra que estamos paulatinamente cultivando. Sob o peso cruel da angústia, estamos construindo a condição imunizadora do poder mental.
Desde que não desistamos, sempre haverá uma chance para a vitória.

Prossigamos sem expectativas de angelitude que não temos como alcançar por agora.

Não ser o que gostaríamos é o mais alto preço atribuído àquele que optou pelos descaminhos do egoísmo, essa também é a maior tormenta para todos os que almejam a melhoria de si próprio. Nisso resido o drama anterior narrado por Paulo de Tarso: “Por que não faço o que quero, mas o mal que não quero esse eu faço”.

Não queremos ser mais quem fomos, mas ainda não somos quem queremos ser. Então quem somos? Isso gera uma etapa definida por profunda inaceitação com tudo na vida. Corpo, profissão, relações, afetos e mesmo os sucessos do caminho são dramaticamente abalados pela diminuição da alegria e do encanto face a essas “provas de ajustamento”.

Todavia, a lei estabelece a morte do pecado e não do pecador. Para todos é abundante a misericórdia – lei universal da piedade paternal – que assegura-nos: o amor cobre multidão de pecados.

Apesar desse ditame celeste, a dor-evolução não tem sido suportada por muitos e agravada por outros, levando-a a quadros de graves enfermidades morais e desamor a si mesmo.

Até a reforma íntima em muitos casos devido às más interpretações costumeiras, tem sido um “bordão” de autopunição e martírio penitencial.

Nesse torvelinho de conceitos e dramas psicológicos, Ermance Dufaux surge com uma palavra de conforto e discernimento aos nossos corações. Sua iniciativa nessa obra reveste-se de valorosa inspiração que trará estímulo, pacificação e luz a muitos corações encarcerados nas árduas provas do crescimento íntimo.

Analisando seus textos objetivos e lúcidos, podemos antever a utilidade da iniciativa de enviá-los a Terra. Entretanto, a despeito de sua oferenda, ela própria é primeira a declinar de sues méritos, solicitando-nos destacar que estas páginas são frutos de um conjunto de esforços de almas que laboram pela implantação do programa de valores humanos para as sociedades espíritas, cujo responsável é o nosso benfeitor Bezerra de Menezes que cumpre diretrizes superiores do Espírito Verdade.

Ressalte-se que, os casos aqui narrados vividos no Hospital Esperança, onde mourejamos juntos no serviço do bem, são indicativas preciosas colhidas diretamente de almas que viveram os dramas descritos. Assim expressamos em respeito a todos eles que permitiram de bom grado a narrativa de suas quedas ou experiência em favor do bem alheio.

Que a mensagem aqui contida seja uma palavra de recomeço e uma inspiração para a continuidade da luta íntima pela vitória do homem renovado no Cristo de Deus.

É lembrado mais uma vez o baluarte da mensagem cristã livre, destacamos que, os percalços não o cercearam em direção aos cimos. Apesar de seus conflitos ele, imbativelmente, declarou: “(...) Tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados, e fazeis veredas direitas para os vossos pés (...)”. “E não nos cansemos de fazer o bem, porque há seu tempo ceifaremos se não houvermos desfalecido”.

Sejamos fieis e confiantes nos pequenos esforços de ascensão que temos conseguido realizar. 

Abandonemos a aflição e a ansiedade relativamente aos que gostaríamos de ser, porque somente amando o que somos encontraremos força para prosseguir. O mesmo Paulo de Tarso que declarou na angústia de suas lutas: (...) o mal que não quero esse eu faço, mais adiante, calejado pelas refregas educativas compreendeu a importância que tinha para os ofícios do bem ao afirmar: “(...) Não sou digno de ser chamado de apóstolo (...) mas pela graça de Deus sou o que sou”.

Por nossa vez, estejamos convictos de que não somos eleitos especiais para a obra a que nos entregamos, contudo, já nos encontramos dispostos a esquecermos do mal e a construir o bem que pudermos. Existe um melhor recomeço do que este?

Cícero Pereira 
Belo Horizonte MG, 9 de março de  2003
 
 
VEJA MAIS:
 
 

A Cura Começa quando Paramos de Fugir do que Sentimos

Curar não se parece com um triunfo imediato, nem como uma luz acesa o tempo todo. Curar, muitas vezes, manifesta-se como cansaço, como silên...