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quinta-feira, 18 de março de 2021

Texto 2 do livro Tão Te Ching (Tradução e Comentários de Laércio Fonseca)



 TEXTO 2

Ao conceituarmos o que é belo, surge o conceito do feio. Ao conceituarmos o que é bom, surge o conceito de mau. Por isso, o imanifesto e o manifesto são um só. O fácil e o difícil são conceitos que se complementam. O grande e o pequeno se completam. O alto e o baixo se harmonizam. O som e o silencia geram equilíbrio. Os conceitos dos opostos são complementares. Assim, o homem sábio age pelo não agir. Pratica sua doutrina sem falar. Ele apenas contempla todas as coisas sem intervir em seu fluxo. Procura não possuir nem se apegar a nada. Toda obra concluída marca sempre o início de uma outra. E pelo fato de estar desapegado, tudo flui harmoniosamente e não se esgota jamais.

Comentários de Laércio Fonseca

Neste texto, o filósofo Lao Tzu nos aponta como a visão chinesa da dualidade é muito diferente da ocidental. Ele nos mostra que tudo não passa de conceitos abstratos que o homem tem sobre as questões do mundo. Dizer que uma coisa é bela e outra é feia, uma é boa e a outra má, dizer que algo é divino e outro demoníaco são apenas aspectos da visão humana sobre natureza destas coisas. Para Lao Tzu, essa maneira dual de observação provém do estado de ignorância em que se encontra a humanidade. Um ser iluminado não vive num universo de distinções e todas as condições lhe são iguais. Tudo não passa de aspectos manifestos da mesma realidade última que consiste na unidade. Para o sábio, tudo é esta unidade e não existe os opostos. Aquilo que, para os homens, são aparentemente coisas adversas, são mostradas por Lao Tzu como sendo, na verdade, complementares. São energias que se harmonizam para gerar tudo que existe, assim como os prótons e elétrons. Ainda neste texto, Lao Tzu nos conta que o verdadeiro sábio taoista age pelo princípio conhecido na China por Wu Wey, que quer dizer “Agir pelo não agir” Como o sábio não vê distinções nas coisas do mundo, não precisa lutar para fazer com que uma das partes se manifeste com mais intensidade.

Extraído do livro Tão Te Ching (Tradução e Comentários de Laércio Fonseca)


 

 

Texto 1 do livro Tão Te Ching (Tradução e Comentários de Laércio Fonseca)



 TEXTO 1

Qualquer imagem que você possa conceber do Criador, não representa a sua verdadeira realidade. Qualquer nome ou forma que você lhe atribuir, certamente não indicará seu verdadeiro nome ou forma. No imanifesto e no inominável está a origem do céu e da terra. Todas as coisas a que podemos dar nomes têm sua origem no imanifesto. Somente através de nossa existência poderemos contemplar o imanifesto. Só compreenderemos a essência do Criador quando nos tornarmos um com ele. Esse, sem dúvida, é o grande mistério. Conhecê-lo realmente é o cerne da sabedoria suprema.

Comentários de Laércio Fonseca

Neste primeiro texto, Lao Tzu discursa sobre a natureza do criador de todas as coisas. Aquele que, aqui no ocidente, chamamos de Deus. No entanto, diferente do conceito ocidental de divindade, o taoismo, em sua raiz, não concebe nenhum modelo do divino. Quando Lao Tzu se refere ao Criador como o imanifesto, o inominável mostra que o homem é um grande ignorante quanto à verdadeira natureza de Deus. O próprio filósofo também se vê nesse dilema e, inteligentemente, procura não elaborar nenhuma ideia de divindade. Ele acredita que, no atual estado de consciência em que a humanidade se encontra qualquer forma, modelo ou imagem que se tenha, certamente estará errada. Sendo assim, nem mesmo um nome pode ser dado ao supremo, pois nomeá-lo significa rotulá-lo e limitá-lo a conceitos humanos primitivos. Dessa maneira, no taoismo clássico e original, não existe nenhum deus falando com sacerdotes e profetas, ditando regras e leis divinas a serem seguidas pelos homens. A compreensão desse deus e de todos os mistérios da natureza só pode ser seguida pelos homens. A compreensão desse deus e de todos os mistérios da natureza só pode ser alcançada através do Tão. O fluxo natural da vida e de todas as coisas.

Portanto, a base do pensamento taoista consiste em não criar modelos do divino dessa ou daquela forma. Sua verdadeira compreensão ocorrerá somente com iluminação individual.

Extraído do livro Tão Te Ching (Tradução e Comentários de Laércio Fonseca)


 

 


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